Depois de um dia corrido, cheguei em casa com minha bebê dormindo em meu colo, carregando sua mala cheia de troquinhas de roupa, fraldas, paninhos e brinquedos. Minha mãe fez questão de colocar uma marmita da papinha que sobrou e algumas frutas. A mala estava bem mais pesada que a própria bebê, e desajeitadamente, consegui subir o elevador, apertar o 6 e entrar em casa.
Troquei, escovei os dois dentinhos que ela tem e a deixei pronta para dormir. Em seguida, jantei com o meu marido enquanto olhávamos ela brincar pelos últimos momentos do dia, no tapete de atividades. Depois do jantar, fiz uma mamadeira pela segunda vez em minha vida (ela começou com a primeira no dia anterior). Nos deitamos e enquanto ela mamava em meu colo, o marido adormeceu ao lado. Logo que finalizou, ela dormiu também. Deixei os dois desfrutando dos seus respectivos sonos tranquilos, e me retirei. Fui para a sala. Sozinha.
Terminei o livro que estava lendo. Escrevi uma resenha. Tomei um banho relativamente demorado e bastante relaxante. Resolvi ainda tomar um chá e escrever sobre a delícia desse meu momento sozinha, quando organizo os meus pensamentos e me faço um pouco de companhia.
Sei que ter um bebê, um marido, um lar, um trabalho e tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, exige verdadeiros malabarismos de mim. De nós, seja como forem as suas vidas. Nossa rotina caminha junto com a pressa, o excesso de informação e o barulho. Mas eu venho tentando, de forma leve e sutil, silenciar um pouco do mundo à minha volta.
O meu dia se inicia com nossa bebê nos acordando, fielmente e todos os dias, dez minutos antes do despertador. Depois disso, o nosso ritual vai começando; amamentação, troca, café da manhã - os três sempre juntos. Só depois disso, abro as portas para o que tem lá fora (coisas como olhar o celular, responder mensagens, etc). A partir daí, vou tentando fazer tudo o que eu preciso ao longo do meu dia que parece ter menos, bem menos do que 24 horas.
E na correria dele, percebo que poucas são as coisas feitas no automático. Na grande maioria delas, eu preciso parar e colocar o meu coração e atenção. Um cuidado mesmo, para que mesmo as pequenas e mais simples atividades, sejam realizadas com propósito.
Venho tentando otimizar o meu tempo. Dar qualidade a ele. Uma das coisas é me dedicar de forma consciente ao momento presente e desfrutá-lo, por mais ordinário que seja. Outra, é deixar de lado o celular, principalmente em relação a conteúdos rasos (ultimamente tenho utilizado apenas para fins profissionais, para compartilhar ou consumir conteúdos que verdadeiramente agreguem algo, que me sinta um pouco mais elevada).
E assim vou levando os meus dias de equilibrista. Tentativas de balancear todas as diretrizes da minha vida. E nesse dia, em especial, sinto-me muito bem sucedida.
Meu livro. Meu banho. Meu chá. Todos os barulhos, vozes e sons dormem. Menos eu. Menos os meus pensamentos agora organizados e a sensação de ter conseguido, por mais um dia, driblar os obstáculos com maestria.
Olho para mim mesma e me sinto completa. Inundada. Alagada de mim. Ocorre-me que não me falta nada. E percebo que mesmo quando passamos dias longe uma da outra, numa hora possível, esse momento vem. E hoje veio. E o que me deixa mais feliz, é que mesmo diante de toda a correria dos meus dias, sei que parte de mim continua por aqui, sempre pronta e à espera de mais um chá ao lado da minha melhor companhia!
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