Ano após ano, Franca parece ter cada vez mais dificuldade em manter empregos formais. A conclusão é evidente a partir da análise dos dados lançados mensalmente pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do governo federal. Em março, levantamento mais recente divulgado, 89 mil francanos foram apontados no índice que registra os empregos formais. Isso representa 50,2% da população economicamente ativa da cidade, que é de 177,3 mil pessoas, de acordo com o último censo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Se comparado a outros cinco municípios de grande porte do Estado de São Paulo (Araraquara, Bauru, Ribeirão Preto, Santos e São José do Rio Preto), Franca fica na lanterna.
Dessas cidades, Bauru é a que mais se aproxima de Franca em termos populacionais. São 350 mil francanos, contra 379 mil bauruenses. Apesar da proximidade, os índices de emprego formal são muito distantes. Bauru tem 138,9 mil pessoas trabalhando com carteira assinada, o que representa 65% dos 185,2 mil moradores economicamente ativos.
Percentualmente, a cidade que mais se aproxima de Franca é São José do Rio Preto, que tem 60,2% da sua população economicamente ativa (230 mil) empregada formalmente (138,6 mil). Ainda assim, a diferença é de 10%.
Das demais, Santos é a que apresenta melhores números, com 74% dos trabalhadores com empregos formais. Araraquara tem 65%. Ribeirão Preto, 68%.
Segundo o economista Pedro Henrique Nascimento, a explicação para Franca ter números tão baixos é a sua histórica estrutura econômica, que, até pouco tempo, era baseada na indústria calçadista. Essa base, ao longo dos anos, foi se perdendo por conta da desindustrialização que ocorreu em todo território nacional.
“Cada vez mais as indústrias perdem espaço no percentual do PIB (Produto Interno Bruto) e isso, inevitavelmente, vai colocar trabalhadores na rua. E, até pouco atrás, a economia francana tinha uma parcela bem maior de pessoas empregadas nas indústrias e esse percentual foi diminuindo. Logo, a parcela de trabalhadores formais foi também caindo”, explica.
Os números do Caged reforçam a explicação do economista Nascimento. Antes, responsável por mais de 50% dos empregos em Franca, a indústria, atualmente, responde por apenas 25%. A queda, que se repete ano após ano, é vista no último levantamento do IBGE, de 2018. Há três anos, Franca tinha 11 mil postos de trabalho formais a mais com relação a 2021.
No comparativo, as outras cinco cidades nunca foram dependentes da indústria. Todas elas têm, pelo menos, 50% dos seus empregos no setor de serviços. Santos, que movimenta a economia com o turismo, tem 75% da economia baseada no setor de serviços. Já Franca nem chega perto do índice, com apenas 37% dos seus empregos originados do setor de serviços.
Sem carteira registrada, os francanos acabam na informalidade. São, por exemplo, motoristas de aplicativo e entregadores. “Uma vez que você perde o emprego na indústria, você acaba vindo para essas modalidades. Se tiver um carro, você pode se empregar com ele. Você não tem mais aquele trabalho clássico das 8h às 17h. Inevitavelmente, isso acaba acarretando numa (maior) informalidade”, afirma Pedro.
Novamente nos números, a informalidade também é evidente em Franca. Se apenas metade pode comemorar o registro na carteira de trabalho, a outra metade busca alternativas para manter o sustento. O índice é maior até que a média nacional, que tem 40% da população empregada informalmente. “Franca, nesse sentido, acaba sendo pior que a média nacional”, finalizou Pedro.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.