Junto com a imagem da enfermeira Mônica Calazans, a primeira pessoa a ser vacinada contra Covid-19 no Brasil, veio a esperança do fim da pandemia. Mas esse período de vacinação também registra falhas e erros humanos, o que leva as pessoas à insegurança e à dúvida mesmo recebendo a picadinha no braço. Franca não passou incólume por esses problemas. Dois casos de erros na hora da aplicação do líquido e a polêmica da preparação das seringas com antecedência longe das vistas de quem seria vacinado, chamam a atenção na cidade.
Os erros que ocorreram em Franca no momento da vacinação em duas pessoas causam dúvidas e inseguranças em quem foi vacinado e na própria família. O primeiro caso na cidade aconteceu dia 13 de abril no drive-thru do Poliesportivo, no momento que uma idosa de 76 anos recebia a dose. A enfermeira introduziu a agulha no braço da mulher mas ‘esqueceu’ de injetar o líquido. Após a reclamação de um parente que acompanhava a idosa, a enfermeira, então, fez o procedimento correto apertando o êmbolo e injetando a dose.
O segundo caso semelhante ocorreu dia 21 do mesmo mês. Uma idosa de 65 anos só teve o líquido injetado em seu braço após a segunda aplicação. Novamente uma enfermeira espetou a agulha no braço da mulher e não apertou o êmbolo. Depois da reclamação do filho, que acompanha a mãe, foi que profissional da saúde aplicou corretamente a vacina. Os dois casos foram filmados e os vídeos viralizaram na internet.
No caso da idosa de 65 anos, a família ainda tem dúvidas se a mulher fora realmente imunizada. Eles alegam que a quantidade de líquido (dose) foi muito pequena. “A gente percebeu também que não tinha praticamente líquido dentro da seringa. Essa é a nossa grande dúvida. Ela esperou tanto por essa vacina e está muito frustrada. A família também. Em outros vídeos dá pra ver o tanto de líquido e o da minha avó não tinha nada. A gente quer que a Secretaria da Saúde faça um exame nela para saber se ela realmente foi imunizada”, pede a neta Camila.
A neta conta que a avó vai tomar a segunda dose em julho e pensa até em ir à Justiça para garantir um exame que provaria que a primeira aplicação foi correta. “É ruim ela ficar nessa incerteza se vai ficar imunizada mesmo tomando a segunda dose. Mesmo a vacina não garantindo 100%, ela estará mais segura se souber que tomou as duas. Se tiver que registrar Boletim de Ocorrência vou providenciar”.
Outras pessoas também relatam sobre a dúvida da imunização de parentes chegando até dizer que querem ‘pagar’ um exame para se certificarem que o parente fora imunizado.
O infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Valdes Bolela, explica que não é simples detectar através de exame, se uma pessoa tomou ou não a vacina. “Na prática, só consegue saber se a pessoa tomou a vacina ou não, com análises que são feitas geralmente com as empresas produtoras durante a fase de estudo. No momento da aplicação, os testes que temos, seja em laboratórios públicos ou particulares, eles não servem para saber se a pessoa está imunizada, se ela está protegida. Há várias razões para isso, os testes foram feitos para o diagnósticos da doença e não para sabe se a pessoa tomou a vacina ou não. A vacina tem uma eficácia capaz de proteger, mas nenhuma vacina no mundo, não só de Covid, é 100% eficaz. Então sempre vai haver a possibilidade de uma pessoa ter tomado a vacina e não estar imune. Mas não é porque não aplicaram o líquido no seu braço e porque a vacina não é 100% eficaz. O que nos protege, não é tomar a vacina individualmente e, sim, todas as pessoas ou pelo menos 85% da população brasileira tomar a vacina. Porque mesmo se a vacina não for eficaz para algumas dessas pessoas, muitas estarão protegidas e o vírus vai parar de circular. Diminuindo a circulação, diminuiu a chance de infecção de novas pessoas”, explicou o médico francano.
O médico aconselha as pessoas ficarem atendas no momento da vacinação. “A gente tem que observar se a seringa tem líquido dentro. A gente sabe que aconteceram casos pelo Brasil. Mas se a gente achar que todas as pessoas são desonestas, não vamos conseguir viver juntas em sociedade. A maior parte dos profissionais de saúde são muitos sérios, são corretos e, se existe algum desvio, ele deve ser a exceção e não a regra.
O professor ainda lembra que o momento é de muita desconfiança com tantos fakes news sobre a vacina contra o coronavírus no Brasil. “A gente anda desconfiado de tudo e de todos, e a culpa não é nossa. O clima está muito ruim. Existe um monte de gente mandando informações falsas e as pessoas têm dúvidas no que acreditar. Aí surgem essas situações em que a pessoa que foi lá e tomou a vacina começa a acreditar que não tomou. Isso não vai ajudar. Na verdade tem que ter um olhar mais otimista. A gente sabe que nas populações que foram vacinadas a infecção começa a diminuir. Isso é o indício que as pessoas foram vacinadas. Até indícios de queda de infecções entre os profissionais da saúde, temos dados que não foram publicados, de queda de infecção e de internação na população de mais de 65 anos, justamente aquela que foi vacinada. A vacina protege, mas lembre-se, ela nunca vai proteger 100%”, completou o médico.
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