SERVIÇO PROBLEMÁTICO

Postes com problemas, falta de iluminação e aumentos bruscos na fatura: briga de francanos com serviços de energia é rotina

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
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Problemas de francanos com a CPFL relatados na última semana
Problemas de francanos com a CPFL relatados na última semana

Se tornou rotina para os jornalistas do Portal GCN e da rádio Difusora receber reclamações relacionadas aos serviços de energia prestados à população, sejam eles ligados à CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), que recebe mais de R$ 21,5 milhões por ano do município para realizar manutenções em locais públicos e outras atividades, ou à própria Prefeitura.

Todos os dias aparece alguém pedindo ajuda porque a rua de sua casa está escura, o poste que fica na sua calçada teve algum problema ou a conta de luz veio bem mais alta do que o normal. A reportagem reuniu várias dessas denúncias, todas feitas ao longo desta última semana. Algumas são relacionadas a acontecimentos recentes, enquanto outras, segundo os relatos, duram anos e anos.

A começar pelo caso mais longevo, o de Neusa Maria Borges Apache, de 66 anos. De acordo com o que conta a aposentada, que mora na rua Alcina de Lima Silveira, no Jardim das Palmeiras, no local existe um poste de iluminação que só funciona na “base da força” e isso já dura décadas.

“A lâmpada só acende se você der umas pancadas no poste. Senão, fica apagada o tempo todo. É assim desde quando eu mudei pra cá, o que faz muito tempo, mais de 40 anos. Já tentei várias vezes entrar em contato com a CPFL. Uma vez, cheguei a passar o problema para o moço e ele respondeu “ah, tá”, por telefone. Ficou nisso até hoje. Os vizinhos aqui do bairro ficam com medo, porque fica uma escuridão danada na rua”, comenta.

Outra reclamação, mais recente, mas também duradoura, vem da rua Luiz Tardivo, do Jardim Santa Efigênia. O também aposentado Carlos Alberto da Silva, 51, mostra um poste localizado em frente à sua casa. O problema é que esse, além de não funcionar corretamente, está em pé por um fio - literalmente.



Ele relata que funcionários da CPFL foram até lá no ano passado e fizeram fotos da estrutura, mas o serviço ainda não foi feito. “Ele é muito antigo. Está oco por dentro, quebrando a calçada e está sendo segurado pelos fios de alta tensão. Se eles arrebentarem, cai tudo. Em setembro de 2020, pedi para o pessoal trocar e eles vieram aqui, fotografaram e até tomaram café na casa de vizinhos. Mas, até agora, não trocaram o poste. Já liguei na CPFL, mandei vários e-mails e não consegui a troca”.



A denúncia de Maria Antônia de Faria, de 58 anos, é um pouco diferente. Em sua rua, a Nicolau Emílio Nery, no Jardim São Francisco, o serviço até foi feito pela empresa, mas não agradou. Ela gravou um vídeo mostrando a situação de sua calçada. “A CPFL trocou esse poste no dia 16 de fevereiro e, até hoje, ainda não vieram cimentar. Para piorar, a luz está colocada nele, mas não acende. Eles quebraram as duas calçadas e não vieram consertar ainda”.



O problema de Expedito da Silva Gomes, 78, vem diretamente da Vila Santa Cruz. De frente à sua residência, na rua Francisco Heitor de Paula, existe um poste que não cumpre com a sua função há bastante tempo, o que faz com que a região fique escura durante a noite e deixe os moradores com medo. “Está assim há uns cinco meses já. Tentei várias vezes falar com a CPFL, mas não consegui. Liguei no 0800, entrei no site deles e nada. Não vai de jeito nenhum. Não dá para falar com eles.”

Eli Lourenço de Sousa, de 65 anos, trabalha como porteiro em um prédio e não tem muito o que reclamar dos postes de sua rua ou da iluminação. O problema dele, que mora na avenida Major Nicácio, está relacionado à sua última conta de energia, a qual ele afirma ter lhe dado um grande susto.

“Aqui, na minha casa, gasto cerca de R$ 95 com energia todo mês. No último mês, de março, veio R$ 170. É muita diferença. Só que ninguém ouviu falar nada sobre aumento no preço da luz. Parei para analisar a conta anterior com a atual e notei que eles estão fazendo o seguinte: enquanto o correto seria medir a energia com 30 dias, o pessoal tem deixado fazer isso com 32, 33 dias. Com isso, você entra em uma outra faixa de consumo. Nos 30 dias, o preço de determinada quantidade de kWh é um. Passou um dia, dois, já aumenta de forma exorbitante. Eu não sei se é erro ou malandragem, mas é absurdo. Fica de alerta para a população”, afirma.

O porteiro afirma que na casa do seu genro aconteceu exatamente a mesma coisa no último mês. “A diferença entre o meu caso e o dele é que, enquanto aqui a medição foi feita com 32 dias, na dele foi com 33. Em Franca há mais de 400 mil pessoas. Se eles fizerem isso com todo mundo...”.

A dor de cabeça de Silvia Silveira, 48, também tem a ver com a fatura mensal. A professora conta que, desde que solicitou a troca de seu relógio monofásico para um bifásico, devido a um problema com a chave de seu chuveiro, em setembro do ano passado, sua conta tem vindo com valores injustificáveis.



“O valor da conta dobrou. O problema é que sequer coloquei o chuveiro ou qualquer outro eletrodoméstico para funcionar no 220. Nem comprei nada de novo. Segue tudo igual. Já fiz reclamação no 0800, testei retirando todas as tomadas, já chamei o eletricista e nada foi constatado. Não sei mais o que fazer, pois já não estou mais dando conta de pagar”.

Também são muitos os bairros que ficam no escuro. O atendente de telemarketing Rogério Gomes, 41, conta que a situação na rua Carmine Dermínio, Jardim Dermínio, fica complicada quando anoitece. “Ali não tem poste nenhum e fica muito escuro. Para passar de carro à noite lá tem que ir com o farol alto, senão fica bem complicado. É um breu danado. O pessoal do bairro sofre bastante com isso”.



Antônio Augusto, de 58 anos, reclama de uma situação parecida. Ele, que tem uma banca de pesponto e é morador do Jardim Paraty, narra que o local convive com dois pontos mal iluminados. “Aqui, temos dois problemas. O primeiro é na ponte que liga o Paraty ao Noêmia. Lá não tem nenhuma luz funcionando. Fica tudo muito escuro durante a noite e, também, perigoso. Outro lugar é a avenida principal do bairro, que fica mais ou menos na mesma situação. Só tem iluminação de um lado. É bem ruim para o pessoal daqui”.



CPFL
Contatada pela reportagem, a CPFL enviou um posicionamento afirmando que enviará equipes para verificar os problemas relacionados à iluminação. Sobre a falta de lâmpadas no Jardim Paraty, a companhia afirma que “a instalação é de responsabilidade da Prefeitura, a empresa é responsável por manutenção”.

Os demais casos estão sendo checados pela empresa.

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