Os motoristas dos ônibus da São José realizaram uma paralisação no Terminal Central de Ônibus “Ayrton Senna da Silva” nesta sexta-feira, 30, às 8h40. O movimento durou pouco mais de meia hora e, segundo o Sindicato dos Motoristas de Franca e Região, foi provocado por conta de um atraso salarial.
A informação foi confirmada por funcionários da empresa que estavam presentes no local durante a manhã. Segundo um motorista, o pagamento dos salários deveria ter sido feito no dia 20 de abril, há dez dias atrás, mas ainda não aconteceu. De acordo com eles, nenhuma nova paralisação foi oficialmente programada, mas elas podem vir a ocorrer. A movimentação seguia normal até por volta do meio-dia.
A São José divulgou uma nota confirmando o problema e afirmando que está com dificuldades financeiras, alegando ainda que não tem recebido ajuda da Prefeitura, algo que, segundo o comunicado, acontece desde a gestão passada. Disse também que a pandemia dificultou mais as coisas e que a empresa precisou pedir empréstimos no mercado financeiro para continuar operando. A Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), responsável por fiscalizar a prestação de serviços, ainda não retornou o contato da reportagem.
Confira, na íntegra, a nota da São José:
“NOTA À IMPRENSA
A concessionária São José ratifica o problema financeiro que tem a operação do sistema de transporte coletivo na cidade de Franca, quadro esse que se agravou desde o início da pandemia da Covid-19. Ao longo dos meses, a transportadora tem protocolado junto à Prefeitura de Franca pedidos mensais de auxílio financeiro emergencial, além de subsídio que seja suficiente para cobrir o custo do passageiro transportado, assim como solicitação de recomposição do valor da tarifa, congelado há anos. Os pedidos ocorrem desde a gestão passada. O contrato de concessão prevê a revisão anual para recompor os custos e, dessa forma, manter a qualidade dos serviços, fazer os investimentos necessários e o pagamento dos compromissos com funcionários e fornecedores.
Durante esse tempo, para manter a operação na cidade, a concessionária teve, inclusive, a recorrer a empréstimos no mercado financeiro. Não poupou e não tem poupado esforços para manter os ônibus em circulação e, até agora, estava com o pagamento dos funcionários em dia.
Mas, como nenhuma medida foi tomada por parte do Poder Público para reequilibrar os custos, a São José passa por sérias dificuldades financeiras, as quais comprometeram o pagamento dos funcionários em dia.
Vale ressaltar que a atual demanda por transporte coletivo urbano em Franca é de apenas 30% do que era antes da pandemia e a receita advinda da venda de passagens, há anos, não é suficiente para cobrir os custos operacionais. No atual cenário, a operadora sequer consegue obter novas linhas de crédito e, até agora, os ônibus rodaram porque a empresa tem bancado com recursos próprios parte da operação.”
Avaliação dos usuários
Não só os motoristas se mostram insatisfeitos com a empresa São José. Em meio à paralisação usuários do transporte público reclamaram de algumas condições vivenciadas enquanto fazem a utilização dos ônibus.
A aposentada Rita de Cassia Ribeiro levantou questões como o tempo de espera, a limpeza do interior dos veículos e a lotação. “Eu utilizo sempre o serviço e devo dizer: está ruim. O maior problema é o número de pessoas dentro do ônibus. Fica muito cheio e é perigoso por conta do coronavírus. Fora isso, eles ficam muito sujos. O pessoal é mal-educado. Jogam embalagem e comida no chão, só que eu nunca vi ninguém limpar. Outra coisa é a demora para o transporte chegar. Estou aqui há bastante tempo, outras linhas já passaram duas vezes e a minha ainda não chegou. Prejudica a gente”.
Bryan Lyncon, que trabalha como comerciante, não vê tantos problemas em sua rota, mas comenta que as reclamações são constantes. “Em particular, acho o serviço prestado bom. Não tenho tanto o que dizer, até porque não uso tanto. Mas as pessoas reclamam muito, principalmente da lotação, por causa da covid-19 e de viajar em pé, e da demora. Mas, no final das contas, é o meio de transporte que temos”.
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