RETRÓGRADO

Grandes empresas repudiam projeto de lei anti-LGBT e reforçam agenda social

Por Ricardo Sales | do Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/Alesp
A deputada estadual Marta Costa (PSD) quer proibir a veiculação de peças publicitárias com menção à diversidade sexual
A deputada estadual Marta Costa (PSD) quer proibir a veiculação de peças publicitárias com menção à diversidade sexual

Esta quinta-feira, 22, foi um dia histórico no meio corporativo brasileiro. Pela primeira vez, várias empresas se posicionaram, publicamente e no campo da política, em defesa da diversidade e dos direitos humanos LGBT. Não é pouco, e tem ainda mais valor num momento em que essa população é alvo constante de agressões e violação de direitos.

O movimento desta quinta-feira tem origem nas discussões em torno do Projeto de Lei 504/2020, que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A deputada estadual Marta Costa (PSD) quer proibir a veiculação de peças publicitárias com menção à diversidade sexual. Segundo ela, campanhas inclusivas trariam “desconforto emocional a várias famílias” e poderiam exercer “inadequada influência na formação de jovens e adolescentes”.

O projeto é claramente inconstitucional e extrapola as atribuições da Alesp, uma vez que a publicidade é regulada em nível federal. Mas a discussão não é jurídica apenas. Ainda mais perturbador é saber que a iniciativa tem chances reais de prosperar. Deputados contrários ao projeto têm enfrentado dificuldades para reunir as assinaturas mínimas necessárias para barrar sua aprovação. Neste cenário, se espalhou pelas redes a campanha #LGBTNãoÉMáInfluência, que procura relembrar o básico: pessoas LGBTs também têm famílias. A demanda desta comunidade não é de privilégios, mas, sim, de viver em condições de igualdade, sem direitos a menos.

As maiores agências de publicidade do País foram as primeiras a colocar o bloco na rede. Desde terçafeira, 20, elas têm postado a respeito do tema nas mídias sociais e mobilizado as entidades de classe, como a Associação Brasileira de Agências de Propaganda (Abap), Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), que soltaram notas de repúdio ao PL 504.

Todas fizeram posts defendendo a diversidade e se colocando contra o projeto reacionário. Além disso, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, que reúne 108 grandes organizações signatárias de compromissos com a inclusão, se posicionou em nome deste grupo.

O posicionamento de marcas e empresas a favor da diversidade mostra que as lideranças estão mais atentas à agenda ESG, uma cobrança cada vez mais de acionistas, e às discussões que acontecem no mundo. Vale aquela máxima: quem não se posiciona é posicionado. Ficar calado em momentos como esse é o que de pior uma organização pode fazer. 

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