De acordo com os dados da Secretaria de Saúde, pelo menos 436 idosos com mais de 70 anos não retornaram para tomar a 2ª dose da vacina contra a covid-19 em Franca. Isso representa 1,78% do público e, apesar de ser um número relativamente baixo, especialistas ressaltam que isso pode comprometer a imunidade e ser uma porta de entrada para novas mutações do vírus.
Entre os motivos, estão idosos que não sabem onde buscar a dose reforço, se esqueceram ou até mesmo não deram importância. No entanto, os estudos divulgados até o momento garantem a imunidade em casos graves apenas com as duas aplicações da vacina. O médico da Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa, afirma que esse intervalo estabelecido entre as duas doses é para otimizar a maior produção de anticorpos.
“Se você recebe só uma dose da vacina, você não vai atingir a eficácia máxima que ela pode proporcionar. Você pode ter tanto uma menor resposta de defesa, quanto diminuir a quantidade de tempo que essa vacina te protegeria. Como é uma vacina nova e não existe nenhum estudo a longo prazo, por questões óbvias, não temos essa perspectiva de entender os motivos exatos, mas o prejuízo acontece na própria proteção e na proteção coletiva”, disse o médico.
Homero explicou que o ideal é garantir o imunizante na data estabelecida, mas se não for possível, que a pessoa procure pela 2ª dose o quanto antes. “É necessário que todo mundo que não recebeu a 2ª dose, seja por qualquer motivo, receba o mais rápido possível. Quem tomou uma dose apenas, essa pessoa tem alguma carga de resposta. O nível de anticorpos é bem melhor do que quem não tomou nada, mas não é o suficiente.”
Esse é um histórico epidemiológico que Franca presencia há anos em qualquer campanha de vacinação que precise de doses extras. Rosa acompanhou muitas dessas campanhas e testemunha que esse é um problema municipal e até nacional. “Temos exemplos clássicos de pessoas que dão muita importância à 1ª dose e menosprezam ou esquecem da 2ª. A vacina de HPV é claramente isso. A vacina contra o câncer de colo de útero e outros cânceres, ela tem uma adesão razoável na 1ª dose, cai demais na 2ª dose e quando tem 3ª dose, a adesão é menor ainda. Precisa melhorar bastante essa adesão às vacinas no nosso país.”
Além dos problemas individuais, a vacinação parcial da população pode comprometer o coletivo. Ainda que uma grande parte do público esteja imunizado com a 1ª dose, isso não é suficiente para impedir a circulação do vírus e, consequentemente, aumenta as chances de mutações. No país, cerca de 1,5 milhões de brasileiros não retornaram para a 2ª dose e o Estado que lidera a listagem é São Paulo, com mais de 270 mil pessoas sem o reforço da vacina.
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