Durante esta semana o portal GCN recebeu dezenas de relatos de pessoas que tomaram a dose da vacina contra a covid-19 ou presenciaram a vacinação de algum familiar e perceberam que a seringa já estava preenchida com o imunizante. Apesar de parecer apenas um detalhe do processo, o procedimento correto e recomendado é que a vacina seja preparada na frente do usuário. O vacinador também precisa mostrar a seringa vazia após a aplicação. Essa é uma regra adotada para garantir mais segurança e transparência no processo.
O aposentado Célio Horácio tomou a vacina na última sexta-feira, 16, na UBS do Aeroporto 1 e reparou que ela já estava pronta. “Fui o primeiro a tomar e a vacina já estava preparada dentro da caixa de isopor. Não vi se com os outros foi assim também, porque eu tomei e saí, mas como que faz? E se eles prepararam essa vacina escondida e colocaram um soro lá dentro? A gente fica com medo”, disse Célio.
A professora Sônia Souza também relatou a mesma situação, tanto na vacinação dela, na escola "Ângelo Scarabucci", como na de sua mãe, na UBS do Ângela Rosa. Nas duas ocasiões, segundo ela, as doses já estavam preparadas. “Eu acho que foi para agilizar, não me incomodei no momento. Mas depois que vi a reportagem falando que não é o procedimento adequado, me senti incomodada.”
Quem confirma que essa não é a atitude correta é a diretora do departamento de Atenção Básica, Leziane Vilela. “Essa não é uma prática recomendada. O recomendado é que a vacina seja preparada imediatamente antes da aplicação. Toda a equipe que está envolvida na vacinação foi treinada, passaram por capacitação técnica. Estão todos muito bem orientados sobre as recomendações a serem seguidas”, falou Leziane.
A diretora ainda disse que a vacina da covid-19 tem algumas peculiaridades e uma delas é exatamente que não pode ser preparada antes da aplicação. “A aspiração da dose deve ser feita na frente do usuário, permitindo a visualização da seringa com a dose preconizada. Ao final da aplicação deve ser demonstrado para o usuário que todo o conteúdo foi aplicado, ou seja, a seringa vazia.” Leziane negou ter ciência de que o procedimento prévio tenha acontecido, mas que de qualquer forma iria verificar.
No entanto, com os diversos relatos, a reportagem do GCN flagrou na manhã desta quarta-feira, 21, a preparação antecipada das seringas antes da aplicação. Na UBS do Ângela Rosa, o procedimento estava sendo feito para agilizar a vacinação no local.
“Temos muita gente para vacinar, as filas chegam a dobrar o quarteirão. Então estamos montando outro esquema, porque se a gente deixar para aspirar (a dose) na horinha de aplicar, nós não vamos dar conta. Vai embora metade ou mais da metade das pessoas sem vacinarem”, disse a enfermeira técnica responsável pela unidade, Maria Filomena Cintra.
A enfermeira afirmou que, embora a dose já esteja preparada, o usuário pode conferir, se quiser. “O frasco está lá. Se a pessoa quiser ver o frasco, ela tem todo o direito de ver. Não estamos escondendo nada de ninguém. Inclusive, quem quiser filmar, pode filmar. Para agilizar as filas nós aspiramos, às vezes, quatro ou cinco vacinas, porque amontoa e aplicamos logo em seguida. A população pode confiar.”
A Prefeitura reforçou que todos os profissionais de enfermagem que fazem parte da campanha de vacinação foram devidamente treinados e capacitados para aplicação do imunizante. Após questionada pelo GCN sobre as UBSs que estão contrariando as recomendações, disse que vai solicitar uma atenção especial às equipes.
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