CIRURGIAS

Francanos relatam drama com suspensão das eletivas: 'Merecemos dignidade'

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo pessoal
Roberto Guliete venceu 3 AVCs, convive com DPOC e a visão cada dia mais prejudicada
Roberto Guliete venceu 3 AVCs, convive com DPOC e a visão cada dia mais prejudicada

“Sabemos que a doença existe, mas também há pessoas com outros problemas sem ser a covid.” Assim pensa Daiane Cristina Portela, de 33 anos, que vive dias de angústia preocupada com a saúde do pai. O paciente sofreu três AVCs (Acidente Vascular Cerebral) que, somados à catarata, o fizeram perder boa parte da visão. Para não ficar cego, precisa de uma cirurgia que hoje não é possível fazer.

Este é o drama de Roberto Guliete, 59, que por muitos anos foi furador de cisterna em Franca. O primeiro choque veio com a morte de sua mulher em 2017, vítima de infarto. Desde, então, sua saúde piorou. Aliado à depressão e catarata, ele sofreu os dois primeiros AVCs em 2020. Os dois no mesmo dia. Segundo sua filha, foi neste dia que ele teve a visão comprometida, além da paralisia completa no braço direito, por sequela do acidente vascular.


Roberto fazendo exames em Ribeirão Preto

Quatro meses depois, o terceiro. Foi neste último AVC que Roberto descobriu um nódulo no pulmão. Ele também sofre com a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, a DPOC. A união de tantos problemas fez com que ele perdesse peso e ficasse mais “desgostoso com a vida”, como relatou Daiane.

Desesperada com a situação do pai e sem a possibilidade de realizar exames na rede pública de saúde, procurou uma alternativa. Através de uma rifa, conseguiu juntar mais de R$ 500 e agendar uma consulta no Instituto da Visão, em Ribeirão Preto, no último dia 12. O laudo médico apontou a necessidade urgente de uma cirurgia para que Guliete não fique cego. No entanto, sem a realização de cirurgias eletivas, isso não foi possível em Franca.

Segundo Daiane, o custo da operação na clínica em Ribeirão é de R$ 12.800 e seria a única forma de ajudar o pai agora. “Eu tentei agendar exames e a própria cirurgia, mas todos os lugares que procurei disseram que não era possível por conta da pandemia. Não conseguimos fazer nada, então estou pedindo ajuda.”

Cristina não escondeu sua insatisfação com a impossibilidade de conseguir uma cirurgia, que salvasse a visão do pai e recuperasse seu ânimo de viver. “O sentimento é de revolta. Merecemos dignidade, precisamos de uma atenção de alguma autoridade.”

“Hoje é meu pai, mas amanhã pode ser outra pessoa”, finalizou Daiane.


Luiza Carrion da Silva sofre com desgaste no quadril e mal consegue andar

Quem também aguarda a realização de uma cirurgia eletiva é a sogra de Ana Paula Lamarca dos Santos Silva, 40, que desde 2019 aguarda para realizar uma cirurgia no quadril.

Atualmente, Luiza Carrion da Silva, de 72 anos, quase não consegue andar. Ela sofre com desagaste no osso do quadril, que após 1 ano e 10 meses se deteriorando, chegou a encurtar o comprimento de suas pernas em 5 centímetros. A idosa passou por consulta na Santa Casa de Franca, e a conclusão médica foi que apenas uma cirurgia poderia solucionar o problema. Exames foram solicitados, mas com a chegada da pandemia, foram adiados.

Desde então Luiza sofre com dores constantes, além de estar sem condições de andar normalmente. “Com o desgaste dos ossos e o encurtamento da perna, ela não consegue andar. Está muito complicado”, lamentou Paula.

A nora comentou sobre a possibilidade de realizar o procedimento na rede particular, mas o custo é altíssimo. “Nós chegamos a procurar o valor da cirurgia, pois ela está sofrendo. Mas não temos condição de arcar com R$ 30 mil.”

“Está muito complicado, não sabemos mais o que fazer”, finalizou Ana.

Sobre a realização de cirurgias eletivas em Franca, o GCN procurou a Santa Casa, que afirmou em nota:

“Um Decreto estadual suspendeu algumas metas, entre elas a realização de cirurgias eletivas até junho de 2021. Considerando a dificuldade de compra de insumos em ambiente cirúrgico além de unidade de cuidados intensivos, os hospitais estão priorizando covid e urgências”.

A Prefeitura de Franca também procurada, mas até o fechamento desta matéria não havia respondido.

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