Ronaldo Rezende é filho de Vandira da Silva Rezende, de 67 anos. Na semana passada, ele a levou ao Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz” e ficou indignado porque sua mãe foi colocada em observação na enfermaria, junto com pacientes que tinham coronavírus, mesmo após seu teste ter apontado um resultado negativo.
“Ela é DPOC (possui doença respiratória) e usa oxigênio domiciliar. Além disso, minha mãe tem problema de coração, então ela incha e a respiração fica ainda mais dificultada. Na quarta-feira, por volta da hora do almoço, eu a levei no PS porque sua saturação estava muito baixa. Assim que foi atendida, a levaram lá para dentro, para a ala de covid do PS, para fazer exames. Ficou a tarde toda lá.”
Ronaldo conta que, próximo das 19h, uma médica a chamou e disse que Vandira estava com uma infecção no pulmão, mas não tinha coronavírus. “Disseram que ela seria internada e ficaria aguardando vaga em um hospital. Quando eu questionei se poderia entrar para me despedir dela, a moça disse: ‘Não! Você não pode entrar lá, porque tá todo mundo com covid-19. É para a sua segurança’. Eu fiquei contrariado e sem entender.”
Ao vê-lo nervoso, o rapaz diz que uma profissional de saúde do pronto-socorro pediu que ele denunciasse a situação. “Uma enfermeira chegou e falou: ‘Liga na imprensa e denuncia. Eles estão fazendo isso com todo mundo. As pessoas chegam aqui com problema respiratório e são internadas junto com quem tem covid-19’. Era o caso da minha mãe. Ela tem problema cardíaco, pulmonar, pressão alta... É de alto risco. Não tinha que ficar junto.”
Um dia depois, na quinta-feira, 8, a mãe de Ronaldo teve alta. “Começaram a tratá-la com antibiótico e ela melhorou. No outro dia, à tarde, me ligaram e disseram que iam liberar ela. Hoje, minha mãe está bem e em casa, graças a Deus. Está só esperando o resultado do PCR. Só que eu não concordei com o que aconteceu. A falta de ar que ela sentia quando deu entrada no PS era recorrente. Fora isso, a ala em que ela ficou estava quase lotada. Tinham poucas camas desocupadas.”
Segundo o diretor do pronto-socorro, Rafael Talarico, o processo de diagnóstico da covid-19 vai bem além dos primeiros testes realizados. Ele explica que, apesar de os primeiros testes de Vandira terem apontado negativo, a possibilidade da doença não é excluída e o procedimento adotado é o padrão.
“O quadro respiratório dela era suspeito e fizemos os exames iniciais chamados de preditivo positivo. Mesmo com o resultado negativo, isso não significa que ela não tenha coronavírus. Por isso, ficou em observação e foi colocada na ala respiratória. Todas as precauções foram seguidas para não haver contato com os positivados. Os leitos são afastados e existe um cuidado muito grande da equipe.”
O médico também esclarece que a mulher não poderia ter sido colocada em outro lugar que não fosse o espaço reservado para sintomas respiratórios. “A paciente chegou apresentando uma síndrome respiratória e necessitava de oxigênio. A levamos para a observação, onde exames gerais e de covid-19 foram feitos. Não poderíamos colocá-la junto com pacientes que não apresentavam sintomas respiratórios.”
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