Ele é hoje a grande estrela do Sesi Franca Basquete, um dos principais alas/pivôs do Brasil, MVP (jogador mais valioso) do Jogo das Estrelas e cestinha da atual temporada do NBB (Novo Basquete Brasil). Com apenas 25 anos e 2,07m, Lucas Dias vem mostrando a cada dia que pode se tornar ainda maior para o basquete brasileiro.
Com médias de 23.3 pontos por partida, Lucas mostra humildade ao falar do momento que vive no time, lembrando de todos os companheiros e também da comissão técnica. Além de cestinha da temporada, ele também tem o recorde de pontos em uma partida, anotou 41 contra a equipe do Cerrado, nesta semana.
“A equipe tem me dado bastante coisas positivas. O Elinho, nosso capitão, meu companheiro de quarto, conversa sempre comigo e me passa a responsabilidade que tenho na equipe. Estou bastante feliz, a gente sabe que vem de uma fase instável no campeonato, mas sabemos a força do grupo para chegar bem nos playoofs e finalizar bem a temporada” disse o jogador.
Apesar de estar liderando os números individuais, o atleta falou das dificuldades enfrentadas pela equipe durante toda a temporada. Essa é a pior temporada do time no NBB nos últimos 5 anos, com apenas 50% de aproveitamento. No último sábado o Franca Basquete foi eliminado da Champions League em partida na Nicarágua.
“Poucas vezes jogamos com o time completo. Desde o campeonato Paulista. Nós sofremos muito com lesões. Com a pandemia, por que muito das vezes ficamos 15, 20 dias longe de casa e isso afeta bastante a gente. Isso não é desculpa, por que todos precisaram se adaptar. Então precisamos nos superar a todo momento”, continuou Lucas.
Entre as principais mudanças nos jogos durante a pandemia é exatamente um dos tradicionais pontos fortes da equipe francana: a torcida. Ao longo de toda a história do time de Franca, sempre foi comum os torcedores lotando o ginásio Pedro Morilla Fuentes, o “Pedrocão” também conhecido como “templo do basquete”.
“Podíamos estar jogando um pouco mal e a torcida empurrava a gente. Você olha isso nos números. Mesmo jogando mal, às vezes ganhávamos, então, esse ano está bem diferente, jogando sempre fora de casa. Jogamos apenas dois jogos em Franca essa temporada. A gente se sente à vontade de jogar em casa, jogar no Pedrocão. Mas temos a ajuda do nosso coach Helinho, de jogadores mais experientes como o André (Góes), que ajuda bastante nesse momento complicado.”
Outra coisa que mudou na pandemia foi a restruturação no elenco. Com as finanças enxugadas e quase todo o elenco mudando de time, Lucas, ao lado de Elinho, optou por ficar e continuar o projeto em andamento na equipe.
“Eu gosto de estar aqui. De fazer parte deste processo. Ano passado a gente terminou com aquele gostinho ‘poderíamos ser campeões’. Isso foi a coisa que mais pegou. Franca fez a proposta e preferi ficar por causa do projeto. Um carinho com a torcida, com o pessoal do time. A cidade precisava que a gente aceitasse ficar naquele momento. Que reduzíssemos o nosso salário. Eu e o Elinho conversamos e o pensamento era o mesmo, o bem pro time. Em nenhum momento pensamos em outra coisa. O coach (Helinho) também conversou com a gente. E decidimos ficar”, contou o atleta.
Que o potencial de Lucas é altíssimo todos já sabem, mas com a restruturação do elenco o jogador virou o protagonista do time. Em sua terceira temporada por Franca, essa é de longe sua melhor temporada da carreira. Isso faz com que a pressão por estar na seleção e jogar fora do país aumente.
“Desde muito novo eu fui pressionado e, agora, não é diferente. Eu sempre tive um sonho de jogar na NBA ou na Europa e mantenho esse sonho. Espero um dia poder jogar lá e dou 110% para alcançar meus objetivos” disse o jogador que sempre é convocado para a seleção e é um dos favoritos para uma das vagas para o pré-olímpico, previsto para acontecer em julho deste ano, na Croácia.
Uma das principais cenas da temporada de 20/21 não é nada que agrada os torcedores e também os membros do time. Em uma partida contra o time do Pinheiros, os xarás “Elinhos” tiveram uma discussão acalorada em um tempo técnico, que resultou na suspensão do capitão do time. Lucas Dias contou como foi aquele episódio.
“Cara, foi uma coisa assim. Foi tão rápido o que aconteceu, que na hora a gente nem importou muito pra aquilo. Eu estou acostumado a ver brigas assim. Sabíamos que os dois iriam se acertar depois daquilo e no momento a gente se preocupou em jogar. Não é uma desculpa para a derrota. Tudo isso aconteceu para um aprendizado e fortaleceu ainda mais a equipe” completou Lucas.
A covid-19 afetou todos, e o basquete não é diferente. Franca foi uma das poucas equipes que não registraram surtos da doença e por isso não precisou cancelar jogos. Lucas confessou que há uma semana perdeu um grande amigo para a doença.
“Mudou tudo em minha vida a pandemia. Minha esposa tem pais de mais idade, minha mãe meu avô, todos do grupo de risco. Há uma semana perdi um amigo que fazia parte da minha família. É complicado a situação. Estamos nos cuidando e preocupados. Temos o cuidado de ter o contato mínimo de pessoas para proteger todos. O medo é grande. Fazemos testes quase todos os dias. Então quando vai sair os resultados, ficamos esperando dar negativo” finalizou o jogador.
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