A 90 quilômetros de Franca, na cidade de Ribeirão Preto, a grande aposta do Ministério da Saúde para combater a covid-19 está sendo desenvolvida. Batizado de Versamune CoV-2FC, o imunizante, que ainda está em fase preliminar, é a dose de esperança da empresa Farmacore em conjunto com a Faculdade de Medicina da USP-RP. A projeção é que esteja disponível para uso no primeiro trimestre de 2022. Até lá, é necessário que seja testado em voluntários saudáveis e conte com aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitário).
Com um investimento inicial de R$ 3 milhões, vindos do Governo Federal, o imunizante começou a ser trabalhado em abril do último ano e utiliza a tecnologia de proteína recombinante, que, basicamente, é cultivar réplicas inofensivas da proteína que o vírus usa para entrar no corpo humano. A fabricação dos insumos foi terceirizada nos Estados Unidos, já que não havia possibilidade de estudos no Brasil.
Até a entrega para uso, três fases são planejadas. De acordo com a CEO da Farmacore, Helena Faccioli, durante as duas primeiras fases, 360 voluntários, entre 18 e 55 anos e, posteriormente, de 55 a 75, serão testados e observados durante um período. “No período de 3 a 4 meses, irão avaliar se não haverá efeitos colaterais e qual a quantidade de anticorpos será gerada, assim como a resposta da ativação das células T”. Para que essa testagem possa acontecer, o consórcio busca um novo investimento Federal, estimado em R$ 30 milhões.
Passado esse tempo de testes iniciais, a terceira fase será iniciada. Nela, até 30 mil pessoas passarão pelo período de testes, que será ampliado para seis meses. Nesta fase, o desenvolvimento deve girar em torno de R$ 300 milhões. “Esse estudo, bem complexo, dura - em ótimas condições - em torno de 6 meses e, com bons resultados, será solicitado uso emergencial à Anvisa”.
Mas, é justamente a Anvisa, além da necessidade de verba, que inviabiliza o início das fases neste momento. O órgão disse que faltam dados para autorizar o início de testes em humanos e pediu novas informações. Helena afirma que até o fim deste mês isso será entregue. “Esses documentos serão submetidos até o fim de abril”.
Outra necessidade do consórcio é encontrar um parceiro industrial, para que exista a produção em massa do imunizante. Mas, para isso, Helena também já tem projeções. “Estamos em negociação com algumas indústrias brasileiras para essa etapa de produção em escala. O acordo deve ser fechado nos próximos 30 dias”.
Caso todo esse processo dê certo, a vacina produzida tão próxima a Franca, será mais uma que a população brasileira terá para contar, se juntando a Coronavac e Astrazeneca, que são as utilizadas atualmente.
E, claro, ainda é necessário a testagem em humanos para saber a eficácia. Mas, se depender dos testes em animais, que aconteceram nos Estados Unidos e também no Brasil, as projeções podem ser boas. “Os testes demonstraram muito sucesso frente às expectativas, tanto do efeito geração de anticorpos, como na ativação da imunidade inata dos animais que foram inoculados, o que conferiu capacidade da vacina de um efeito duplo de formação de anticorpos + resposta imune de longa duração”.
Quanto ao orçamento, estimado em mais de 330 milhões, a CEO diz que é baixo, se comparado a outras que buscaram atingir o mesmo resultado. “Comparado a custos internacionais para busca do mesmo resultado, o investimento é muito mais baixo do que os financiados em outros países”, finalizou.
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