CONSEQUÊNCIAS

Um dia após ser gravado sem máscara, médico é advertido e passa a usar a proteção

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/RecordTV Interior
O ortopedista e traumatologista Sergino Mirandolas Dias
O ortopedista e traumatologista Sergino Mirandolas Dias

A paciente Flávia Aparecida de Souza Pedro, que filmou o ortopedista e traumatologista Sergino Mirandolas Dias se negando a usar a máscara, durante a consulta no NGA, em Franca, está duplamente frustrada com a conduta do médico. Isso porque a dona de casa de 36 anos tem sofrido com uma constante dor nos ossos e, segundo o que ela conta, Dias teria a tratado com amplo descaso no consultório.

A Prefeitura agendou uma nova consulta para a paciente e advertiu o médico. Ele foi trabalhar normalmente, mas com uma importante diferença: fazendo usa da máscara. Nessa segunda-feira, um vídeo com o médico afirmando que não utilizaria o equipamento de proteção contra o coronavírus, fazendo, inclusive, ironias – “Mande me prender”, disse ele – foi divulgado.

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Hoje, a Prefeitura divulgou que Dias foi advertido. Segundo a nota, o médico realizou todos os seus atendimentos fazendo o uso de máscara. Além disso, o poder público informou que uma sindicância foi aberta na Divisão de Auditoria e Controladoria Interna para que as condutas do ortopedista sejam apuradas.

O GCN apurou que Dias também trabalha no INSS, onde atendeu nesta terça-feira, com máscara. A reportagem tentou, mas não conseguiu contato com Dias.

A diretora do NGA, Cristiane de Melo Lima, foi acionada pela reportagem e ficou de retornar ao contato, o que não aconteceu até a publicação deste texto.

A Unimed, cooperativa da qual o médico faz parte e realiza atendimentos, além da delegacia de Franca do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) também foram contatadas, mas suas assessorias não responderam à reportagem.

Revolta
Além da falta da máscara, Flávia Aparecida de Souza Pedro ficou revoltada com a forma com a qual o ortopedista a tratou no consultório. Sergino Mirandolas Dias teria chegado a dizer que as dores sentidas pela paciente seriam “coisas de sua cabeça” e “coisas de gente doente e depressiva”.

A preocupação da mulher com as dores se torna ainda maior já que, há três anos, ela perdeu sua mãe em decorrência de um câncer ósseo que demorou para ser descoberto. Ainda assim, o ortopedista, que já havia a atendido anteriormente em janeiro, teria insistido que seu sofrimento seria “tudo coisa da cabeça”, mesmo com o aumento de suas dores.

“Isso me revoltou tanto quanto o fato de ele não utilizar o equipamento de proteção. Antes de eu começar a filmar, ele já disse que não iria me atender, o que realmente aconteceu. Não me atendeu. Estou sem tratamento médico. Já tomei até morfina para ver se a dor passava e não passou”, conta Flávia, revoltada.

Ela suspeita estar com fibromialgia, uma doença que não tem cura e causa fortes dores no corpo todo. Apesar disso, a dona de casa diz que Dias não lhe pediu os exames que julga necessários e chegou a dizer que o mal sequer existiria.

“Ele falou que não existe fibromialgia. Que o que eu tenho é coisa de ‘gente doente e depressiva’. Que é coisa da minha cabeça. Associou até com síndrome do pânico. Foi muito grosso e não passou o tratamento que eu preciso. Perdi minha mãe anos atrás para um câncer nos ossos. Ela fez vários exames de raio-x e nenhum apontou a doença. Eu fico preocupada, pois já fiz esses exames e ele os pediu de novo, sendo que eu preciso é de uma ressonância magnética. Ele insiste em dizer que não existe fazer exame para fibromialgia, que é tudo coisa da minha cabeça.”

Em meio a tudo isso, as dores de Flávia Aparecida continuam aumentando. “A dor que sinto é muito forte. Têm dias que eu fico debaixo do cobertor mesmo com o sol quente. Da cintura para cima, fico com suor escorrendo. Do joelho para baixo, tremo de dor. Chego a chorar. A minha filha de 9 anos me abraça e diz ‘Mãe, eu não quero que você morra. Estou com medo de você morrer’. Eu procurei um especialista achando que conseguiria uma solução e saí sem conseguir sequer o atendimento.”

A paciente, ainda revoltada, também alega que os administradores do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) conheciam a conduta do médico, que se negava a utilizar máscaras, e nada faziam.

“Eu fui ao segurança, que não fez nada. Procurei a diretora da unidade e ela não quis me atender. Quando falei com o recepcionista, ele falou que já comentou com a diretora e ela respondeu ‘Ih, o Dr. Sergino não usa mesmo não. Pode falar para ela’. Então, creio que o erro seja de todos. Esse homem pegou coronavírus, atende no NGA, em um consultório particular e no INSS. Quantas pessoas ele contaminou? Vi uma senhora sair do consultório dele e o marido perguntar ‘O médico não usa máscara?’. É um absurdo eles não serem punidos.”

Flávia também havia se irritado porque os funcionários não teriam aceitado marcar uma consulta com outro ortopedista para ela. Segundo a Prefeitura de Franca, o atendimento da mulher com outro médico foi marcado para o final desta semana.

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