Diagnosticada com covid há duas semanas, Elaine Silva do Nascimento, manicure de 36 anos, vive o drama da espera por um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Entre, pelo menos, quatro idas e vindas ao Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, os médicos decidiram internar Elaine em uma das vagas de enfermaria, devido à piora no quadro clínico.
Embora não seja o ideal, Elaine aguarda no leito de enfermaria a disponibilidade de um leito de UTI. A manicure desenvolveu pneumonia e, com o comprometimento do pulmão, sente dificuldades para respirar. Em conversa por videochamada com seu irmão, Sinval Moreno, Elaine pede socorro. “Pelo amor de Deus, só me ajuda a respirar. Eu não estou dando conta”, apela.
Sinval e toda a família não sabem mais para onde recorrer. “São muitos pacientes e poucas pessoas para cuidar. Os profissionais não têm culpa, estão fazendo tudo o que podem para ajudar, mas ouvir um ‘me tira daqui, saindo daqui e indo para a UTI eu vou ter mais chances de me recuperar’ é lamentável. Foi isso que minha irmã me falou”, disse Sinval.
Segundo o irmão, a manicure está internada desde o dia 1º esperando por uma vaga. “Ela teve que ficar de bruços por horas, desde então, para conseguir respirar. Até conseguiu uma vaga em Pedregulho, mas a recomendação médica era para que ela ficasse aqui, por toda a questão de recursos e porque tinham pessoas que precisavam mais que ela. Eles estão tendo que escolher vidas”, falou.
Mesmo com a ampliação de mais quatro leitos de UTI no AME nesse sábado, todas as vagas SUS da cidade estão ocupadas. Enquanto o sistema não desafoga, dezenas de pessoas permanecem na mesma situação que Elaine no Pronto-socorro Municipal.
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