Nos alpes de gelo defendendo a seleção brasileira de Bobsled ou nas serras onde realizava trilhas de moto, Odirlei Carlos Pessoni, de 38 anos, sempre se mostrava um companheiro de verdade. Sem os equipamentos de proteção e fora das pistas, o atleta olímpico era um dedicado marido e um exemplo de pai para as duas filhas.
Na seleção de Bobsled, ele era considerado o “pulmão” da equipe pelos companheiros. Para os amigos de trilha, ele era o “Atleta”.
O mundo olímpico ainda lamenta a morte do francano, que faleceu no sábado, 27, durante um passeio de trilha próximo à represa da Usina de Peixoto, caminho para Sete Voltas, em Minas Gerais. Odirlei estava em uma moto Beta 450cc e se envolveu em um acidente com um carro Gol, durante o deslocamento entre um ponto e outro de trilha, morrendo praticamente no local.
O mundo olímpico ainda lamenta a morte do francano, que faleceu no sábado, 27, durante um passeio de trilha próximo à represa da Usina de Peixoto, caminho para Sete Voltas, em Minas Gerais. Odirlei estava em uma moto Beta 450cc e se envolveu em um acidente com um carro Gol, durante o deslocamento entre um ponto e outro de trilha, morrendo praticamente no local.
A reportagem ouviu amigos e companheiros de Odirlei, que deram relatos emocionantes sobre o francano, que representou o Brasil em dois Jogos Olímpicos de Inverno - em 2014, em Sochi, na Rússia, e em 2018, em PyeongChang, na Coreia do Sul. Após relutar em dar entrevista, a viúva do atleta, Cláudia Pessoni, também falou com o GCN.
Cláudia disse que o marido viveu intensamente e, mesmo quando esteve ausente de casa por conta do trabalho, foi um pai dedicado. “Ele foi uma pessoa que deixou uma marca muito linda por onde passou. Uma pessoa de caráter, honesta, uma pessoa prestativa e muito amiga. Tinha defeitos, como todos os serem humanos têm, mas as qualidades dele superavam todos os defeitos. Sempre foi um pai dedicado, mesmo distante devido às viagens e os compromissos relacionados ao esporte, ao trabalho. Quando ele estava presente com a gente, com a família, ele era sempre muito intenso. Era muito dedicado, de um coração enorme e amava tudo o que fazia. Ele deixa uma lembrança, um legado, uma herança muito linda nesse sentido de olhar pra trás e lembrar dele como uma pessoa que deixou um exemplo de vida”, disse ela.
Durante a entrevista, Cláudia dá uma pausa: “É difícil falar...”. Em seguida, ela completa. “Lembranças boas e marcantes não vão faltar dele. Têm coisas que vão ficar marcadas pra sempre em cada um que passou pela vida dele.”
O amigo do grupo de trilha, Heber Valecy Silva (Hebinho), instalador hidráulico, de 38 anos, disse que Odirlei sempre estava de bem com a vida. “Odirlei pegou nosso amigo, em comum, (Daniel) e foram na frente, naquele sábado. Ele levou pão e cappuccino pra irem tomando. Daniel ainda gravou um vídeo e postou no nosso grupo de WhatsApp dizendo: 'Pensa num cara bom. Ele sabe que eu gosto de cappuccino e olha isso. O bicho é bruto mesmo'”, contou.
Poucas horas depois, Odirlei e Daniel se juntaram ao restante do grupo já na região de Peixoto, para a primeira trilha. “A gente não chamava ele por nome e sim por 'Atleta'. Antes de sair para as trilhas, normalmente, a gente faz uma oração e quem puxava a oração era ele. Odirlei era muito presente, muito família. Nesse dia, ele disse estava com muita vontade de andar”, disse Hebinho.
Bruno Henrique Santos, empresário de 36 anos, que também faz parte do mesmo grupo de trilha, destacou que o “Atleta” era diferenciado. “Sempre alegre, feliz, companheiro. No que você precisasse dele, ele estava ali. Ele era um cara dez.”
Bruno conta que o “Atleta” usava a trilha para se preparar, para se manter em forma para futuras competições. “Todos sabiam que ele se preocupava com a preparação física e, por isso, essa grande vontade dele. Ele era incansável, sempre competitivo, mas sempre se preocupava em usar todos os equipamentos de segurança.”
O GCN falou também com o piloto da equipe da seleção brasileira, Edson Bindilatti, que esteve junto com Odirlei, nos dois últimos Jogos de Inverno, na Rússia e Coreia. “Ainda estou em choque. Não dá pra acreditar no que aconteceu. Odirlei era como um irmão. A gente estava junto desde 2009, viajando juntos para competições de Bobsled e ficávamos mais juntos do que com nossas próprias famílias. O Odirlei que era o coração do time, então, está difícil. Eu conheci a família dele, esposa, as duas filhas, já que trabalhei aí em Franca, por um tempo como técnico do atletismo. E, às vezes, eu dormia na casa dele. A gente brincava que ele era o ranzinza da equipe, mas era um cara de coração gigante, sempre querendo que as coisas acontecessem pra gente estar sempre evoluindo. Eu o amava. É uma pessoa que eu vou esquecer de esquecê-lo”, disse Bindilatti, que atualmente mora em São Paulo.
Bindilatti informou que a equipe brasileira já estava se planejando para as Olimpíadas de 2022, marcadas para Pequim, na China. “Agora em abril, já íamos começar a preparação com todo time. A gente ia se reunir uma semana por mês para treinar, até porque cada atleta é de um lugar do Brasil. A Confederação já está organizando todo o processo para gente estar juntos. Odirlei iria nos ajudar a construir a pista de push, em São Caetano. Ele era nosso engenheiro. Em setembro, nossa equipe deve ir para a China para um evento teste e, em novembro para os EUA, onde vamos começar a temporada. Estava tudo alinhado, mas agora a gente vai ter que colocar outro atleta no time, mas é claro que nunca vai substituir o Odirlei, que, repito, era o coração do time. É uma perda gigantesca, tanto do lado esportivo quando do lado pessoal e familiar.”
O piloto do trenó, que vai para sua quinta Olímpiada, diz que pedia para Odirlei ter cuidado ao praticar trilha, mas lembrou que o ocorrido foi uma fatalidade. “Ele sempre falava que gostava de fazer trilha e a gente sempre falava para ele ter cuidado. Mas ele sempre estava ‘traiado’ (com equipamentos de proteção). Foi uma fatalidade.”
Um grupo de amigos de trilha prestou uma homenagem a Odirlei nessa semana. Eles construíram no alto do “Morro das Placas”, próximo ao local do acidente, um monumento de aproximadamente um metro com uma imagem do francano. Agora, o lugar passa a se chamar “Morro do Atleta”.
Odirlei Pessoni faz parte do seleto rol de atletas francanos, que chegaram a disputar Olímpiadas, ao longo da história. Além dele, os atletas olímpicos natos da cidade são Hélio Rubens Garcia, Jorge Guerra (Guerrinha), Adriana Moisés (Adrianinha) e Carlos Alberto Rodrigues (Carlão), que à época foi como assistente técnico da seleção. Todos os quatro da modalidade de basquete.
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