Guerreiro. Assim pode ser definido o francano Eurípedes Marcelino Martins. Aos 68 anos, já superou três grandes sustos na sua vida. Um AVC (Acidente Vascular Cerebral), um infarto e a covid-19. Além dessas vitórias, o idoso convive com Alzheimer, enfisema pulmonar, além de ter apenas 46% do seu coração funcionando. Hoje, muito debilitado, precisa do amparo de oxigênio em casa, além de alimentação por sonda - esta que se tornou outra batalha em sua vida e de seus filhos.
Foi em outubro de 2020 que Eurípedes contraiu o vírus. Foram 44 dias internado até ter alta. Após se recuperar da covid-19, ele precisou se manter sob cuidados em casa. Além de respirar bem apenas com auxílio de cilindro de oxigênio, ele não consegue mais se alimentar normalmente, sendo necessário o uso de sonda – tanto para comer, quanto para ser medicado. Amparado por sua filha, Elaine Martins, 43, atualmente desempregada, todo dia com vida é uma vitória. “Me orgulho muito dele. É um guerreiro. Nem os médicos sabem explicar como ele sobreviveu ao coronavírus. Quando foi internado, eles não estavam confiantes que sairia com vida”, disse a filha.
Eurípedes prestou serviços à Prefeitura por 47 anos de sua vida, sendo 20 como lixeiro e 27 como faxineiro no NGA (Núcleo de Gestão Assistencial). Sua aposentadoria, hoje, não é suficiente para sustentar todos os cuidados que precisa. Sua filha ajuda nas despesas, mas a situação está complicada. A dieta necessária para o pai custa R$ 31. São R$ 31 todos os dias para que o pai possa ter alimentação digna. “Está muito difícil de manter. Semana passada, por exemplo, teve um dia que ele não comeu, não tinha condições de comprar”, desabafou Elaine.
A filha ainda relata que a dieta é fornecida, na maioria dos dias, por doações. “Muitos parentes ajudam, amigos. Mas nem sempre dá. A aposentadoria dele não é o suficiente para bancar todos os custos.” O alívio vem com apoio da Prefeitura de Franca. Segundo ela, os cilindros de oxigênio vêm de lá. “Graças a Deus, não temos despesas com oxigênio, se não seria ainda mais complicado. Mas a dieta eles não dão.”
Sabendo da importância de conseguir manter a saúde, já debilitada, do pai, Elaine recorreu à Farmácia de Alto Custo, que é uma espécie de assistência farmacêutica do Estado de São Paulo. A Justiça concedeu o direito à alimentação em novembro do ano passado, mas desde então, nenhum litro sequer chegou à casa de Eurípedes. “O Estado deveria mandar a dieta para nós, mas desde que ganhamos na Justiça, nada chegou. Eu ligo todos os dias para saber e a única resposta que me dão é que não chegou ainda”, lamentou a filha.
Em tom de desespero, a única filha concluiu. “Não sei mais o que fazer. Estamos passando necessidade para manter meu pai vivo.”
Em uma conversa informal com um funcionário da Farmácia de Alto Custo de Franca, a reportagem foi informada que não há na unidade a dieta que Eurípedes necessita nem previsão de chegada.
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