Marcela Barros, assessora da vereadora Lurdinha Granzotte (PSL) na Câmara Municipal de Franca, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira, 29.
Desde que assumiu uma cadeira no Legislativo, Lurdinha se envolveu em duas situações polêmicas, sendo que a última foi determinante para a saída da assessora. Dia 15 deste mês, a vereadora participou de um protesto antidemocrático em Franca, quando um grupo se reuniu em frente ao Tiro de Guerra pedindo intervenção militar no STF (Supremo Tribunal Federal), contra as medidas sanitárias do governador João Doria (PSDB) e em apoio ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido). Na ocasião, Lurdinha deu declarações pedindo o fechamento do Congresso Nacional.
“Eu respeito a vereadora, respeito o posicionamento ideológico político dela, mas nosso objetivo, também do João (Rocha, que foi candidato a prefeito) sempre foi construir mais que uma campanha política, um movimento popular. Quando eu tomei meu posicionamento de sair, é porque meu posicionamento político diverge da vereadora, no tocante a respeito da soberania nacional, da ordem democrática do direito dos três poderes. Como advogada especializada em direito público, eu não tenho como defender o fechamento do Congresso Nacional”, explicou Marcela.
Em um caso anterior, a vereadora já havia sido muito criticada pela população por ter participado de uma festa de casamento de um sobrinho em plena pandemia, mas a gota d’água para a decisão da assessora foi mesmo a participação da parlamentar no ato antidemocrático. “Infelizmente,0 como assessora, eu fico limitada em poder estar defendendo ela, em poder estar assessorando nesse sentido, tendo em vista uma coisa tão, em princípio, ideológica assim, é tão diferente. Eu defendo a Constituição, a democracia, o poder do povo”, disse a advogada.
Após passar três meses dentro da Câmara, Marcela criticou a postura dos vereadores. “A fiscalização do Legislativo é essencial. Eu vejo que o nosso Legislativo tem tendido a ser um 'puxadinho' do Executivo. Onde, ao invés de cobrar, estão fazendo o trabalho pelo Executivo. Eles agendam cirurgias eletivas... Esse não é o papel do vereador eleito. O papel do parlamentar é cobrar, é fiscalizar.”
Ela também disse estranhar a posição dos vereadores em não tomarem uma posição sobre um parlamentar pregar a ditadura. “Isso pode abrir um precedente para futuras manifestações semelhantes, ou pela população, ou por outros veadores em uso da Tribuna como foi feito pelo deputado federal Daniel Silveira (PSL) que chegou a ser preso. O pedido de apuração dos fatos veio de populares, não veio da Câmara. Foram populares que denunciaram à Câmara para que ela agisse”, finalizou.
Por conta das declarações durante o protesto recente, Lurdinha terá que enfrentar um processo na Comissão de Ética da Câmara Municipal, após duas munícipes entrarem com representações individuais contra a vereadora. A Comissão de Ética deverá abrir os trabalhos de possíveis irregularidades da vereadora nos próximos dias.
Por conta das declarações durante o protesto recente, Lurdinha terá que enfrentar um processo na Comissão de Ética da Câmara Municipal, após duas munícipes entrarem com representações individuais contra a vereadora. A Comissão de Ética deverá abrir os trabalhos de possíveis irregularidades da vereadora nos próximos dias.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.