SEM NOÇÃO

Festas clandestinas são desafio na fase mais crítica da pandemia em Franca

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes Sociais
Filmagem de festa divulgada nas redes sociais. Data marcada nas câmeras de segurança é do último domingo, 21.
Filmagem de festa divulgada nas redes sociais. Data marcada nas câmeras de segurança é do último domingo, 21.
Em um cenário de pandemia descontrolada, onde um vírus extremamente contagioso, que causa uma doença com potencial de matar e ainda sem tratamentos eficazes paira pelo ar, a única alternativa para evitar uma contaminação em massa é seguir, tanto quanto possível, uma série de protocolos sanitários e diminuir ao máximo a proximidade física entre as pessoas. O protocolo, apresentado aos brasileiros por cientistas e médicos no início de 2020, continua o mesmo em todo o país um ano depois.
 
Um dos comportamentos que foi preciso abandonar são as festas. Nelas – sejam comemorações simples, casamentos, bailes ou baladas - as pessoas não conseguem, por motivos óbvios, se proteger de um micro-organismo transmitido pelo ar como é o coronavírus. Não são poucos os francanos, entretanto, que ignoram a gravidade da situação e até hoje, mais de um ano após o início da pandemia, se recusam a deixar para trás as festanças.
 
Durante os quase treze meses de surto, foram registrados diversos eventos clandestinos em Franca – isso, fora os que aconteceram com total sigilo. Alguns, as chamadas "resenhas", são mais reservados – o que não diminui o nível de irresponsabilidade dos participantes. Outros já extrapolam quaisquer limites do razoável e chegam a reunir milhares de pessoas.
 
Foi o caso de uma festa registrada no dia 27 de setembro de 2020. Em uma chácara localizada às margens da rodovia João Traficante, mais de 2 mil pessoas, em sua maioria jovens, estavam reunidas em uma espécie de baile com muita bebida alcoólica e música. Quando o encontro foi interrompido por fiscais da Vigilância Sanitária e policiais militares, os participantes decidiram voltar a pé para a cidade, o que gerou desconforto e receio para quem dirigia pela rodovia durante a madrugada. Àquela época, Franca contabilizava 5.806 diagnósticos positivos e 128 mortos por covid-19.


Evento com 2 mil pessoas no final do ano passado

Caio Carvalho, diretor da Vigilância Sanitária de Franca, disse que a volume de festas clandestinas tem caído, mas admite que elas ainda acontecem. Em perfis de redes sociais dedicados para denunciar as “resenhas” e “happy-hours” feitos em Franca, são divulgadas imagens onde, na maioria das vezes, aparecem vários jovens reunidos festejando.


Perfil dedicado a expor aglomerações
 

Em uma das filmagens está marcada a data do último domingo, 21 de março, mês mais mortal da pandemia na cidade. No post, o administrador da página ainda expôs o nome de alguns participantes da festa, que, em determinado momento, começam uma briga, partindo para cima de um jovem. Naquele dia, o Boletim Epidemiológico marcava 21.174 casos positivos e 405 mortes provocadas pelo coronavírus. Dias após da publicação do vídeo, o perfil do Twitter onde o post foi feito, chamado de “exposed covid Franca”, foi retirado do ar.


Os nomes e rostos dos integrantes da festa foram distorcidos pelo GCN, já que os participantes podem ser menores de idade
 
A reportagem do portal GCN conseguiu informações sobre como as festas são organizadas. Os promotores dos eventos e suas equipes de divulgação criam vários grupos onde todos os convidados são adicionados. Os locais onde as reuniões vão acontecer, porém, só são tornados públicos via stories compartilhados no WhatsApp – que são rapidamente apagados - momentos antes do horário marcado, para evitar que as localizações sejam divulgadas e os fiscais fiquem sabendo. Assim, tudo acontece.
 
Mas, e quando mesmo com todos os cuidados a fiscalização toma ciência do evento e bloqueia o local onde ele seria localizado? “Na maioria das vezes, tem um plano B. Dois espaços são alugados para que a festa não deixe de acontecer”, responde um informante. Com isso, o nível de dificuldade para evitar essas festas aumenta.
 
Segundo Caio Carvalho, os fiscais e os setores de segurança têm procurado formas de atuar que não coloquem em risco os participantes destes grandes eventos, muitas vezes menores de idade.  “A Vigilância vai até os locais denunciados e, juntamente com a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal, avalia a situação. Se for o caso onde mais nenhuma vida será colocada em risco, os participantes são dispersados e os devidos responsáveis pela festa, como os proprietários do espaço, organizadores, DJ’s e, caso tenha, os donos dos buffets são autuados”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários