“Minha mãe está internada aqui desde quinta-feira. Ela já está ficando cansada. É como se estivesse abandonando a mãe da gente. Isso é muito ruim. A gente entende que está lotado. Que os profissionais de saúde também estão cansados. É muito difícil estar nesta situação. Estar de mão atadas e não conseguir fazer nada!”. O grito de socorro desesperador é da auxiliar administrativa Júlia Guiraldeli, de 29 anos, que está lutando por um leito para a mãe, internada no Pronto Socorro Álvaro Azzuz. Segundo a Secretária de Saúde de Franca, 24 pacientes estão sendo assistidos pela equipe da unidade e já foram inseridos na regulação Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) solicitando uma vaga em unidade hospitalar. Com pouquíssimos leitos disponíveis em Franca e na região, a espera, angustiante, tem sido inevitável.
Júlia estava desesperada na manhã deste sábado. Segundo ela, a mãe, a cozinheira Maria Cleide Guiraldeli Andrade, 56 anos, testou positivo para Covid-19 há duas semanas. Desde então, os sintomas foram se agravando. “Na quinta-feira, 25, ela veio ao PS e até agora não conseguiu um leito para ser internada. Onde ela está não tem estrutura nenhuma. Ela já está no máximo da capacidade do oxigênio, em uma maca. Tá muito difícil. Ela já está desesperada e a gente fica também, porque não podemos fazer nada”, lamenta a auxiliar administrativa.
A filha já tentou vaga em hospitais particulares da cidade e, também, da região, sem sucesso. Franca vive há duas semanas lotação praticamente máxima nos leitos de UTIs Covid, mas viu nesta semana tudo piorar, quando as enfermarias e os hospitais particulares também ficarem com sua ocupação no máximo.
Os poucos leitos que aparecem disponíveis nos relatórios oficiais são usados para remanejamento interno das próprias unidades de saúde - por exemplo, um paciente que está na enfermaria e tem tido piora acaba indo para a UTI da própria unidade, e vice-versa. No último boletim Epidemiológico, a Prefeitura informou que nos hospitais de Franca, nas enfermarias, com 59 leitos existentes, há apenas nove disponíveis. Já nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), que recebem os pacientes com quadros mais graves, a situação é ainda mais preocupante. Na prática, nenhum leito está disponível neste instante. “Eu tentei em vários hospitais particulares. Estou tentando em outros hospitais da região, mas não consegui internar ela até o momento”, diz Júlia.
Esta é a segunda vez que a auxiliar administrativa sofre com um parente em estado grave por Covid-19. No ano passado, ela perdeu o sogro por complicações da doença. “Eu espero que as pessoas que estão aqui consigam leitos. Porque o número de pessoas esperando internação só aumenta dia a dia. E para as pessoas que não estão passando por isso, que se preservem. Porque a vida não tem preço”, finalizou.
Neste sábado, 27, 24 pessoas estão aguardando vaga para internações em Franca ou em alguma cidade da região.
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