PÁSCOA

Pandemia barra comemorações da Semana Santa, mas Bispo reforça atenção ao sentido da data

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
Missa de Ramos de 2019: neste ano, celebração será online
Missa de Ramos de 2019: neste ano, celebração será online
Em tempos normais, este domingo, 28, representaria o início do período mais importante para os católicos: a Semana Santa. Com a celebração da Missa de Ramos, que recorda a entrada de Jesus em Jerusálem até o domingo de Páscoa, que representa a ressurreição de Jesus, os católicos estariam juntando suas fés em diversas procissões, adorações e missas. Mas, nos últimos dois anos, todas essas celebrações não têm sido possíveis presencialmente por conta da pandemia. 
 
Para o Bispo da Diocese de Franca, Dom Paulo Beloto, talvez o momento atual, que não permite a presença física, represente de forma mais intensa o significado da data. “Na Semana Santa refletimos e rezamos a experiência da paixão de Cristo, a dor e o sofrimento. Talvez a humanidade nunca experimentou tanto essa comunhão com a paixão de Jesus do que nessa pandemia que se arrasta”, diz o líder católico.
 
Ainda assim, para fiéis que tradicionalmente estão nas celebrações, a falta da proximidade física imposta pelas restriçoes deste momento gera uma série de sentimentos. O jovem católico Guilherme Peixoto, de 20 anos, recorda dos bons momentos que costumava ter no período. “Eu tinha a tradição de fazer a procissão, onde várias pessoas realizam uma caminhada com o andor de Jesus na frente. Também tínhamos a sacra, que é uma encenação com tudo que Jesus passou. Tudo isso faz parte da tradição. E não temos mais essa possibilidade de dividir a fé com outras pessoas”, lamenta.
 
Gustavo Felicissimo diz que as atuais circunstâncias causam bastante estranheza para ele, que, tradicionalmente, participava de todas as celebrações. “Eu acredito que, assim como foi no ano passado, é estranho para todos nós. É uma sensação de estranheza mesmo. Tem a parte do costume de ter as celebrações, então de certa forma parece que perde um pouco a espiritualidade”, diz. 
 
Já para Bárbara dos Santos, de 18 anos, o sentimento é de vulnerabilidade, por não poder vivenciar o momento "único", como ela define o período. “É uma semana de extrema importância e os momentos que eram vivenciados eram únicos. Agora com esse novo modo de participação é difícil focar exatamente nos eventos online, é muito fácil se distrair”.
 
Para alguns, a falta de eventos presenciais faz com que até haja afastamento. Por não ter a chance de celebrar presencialmente, Beatriz Garcia, da paróquia Capelinha, admite se sentir afastada. “Me sinto incompleta, como se estivesse faltando algo para isto ser realmente vivenciado de uma forma boa. A semana Santa é um tempo de esperança. As pessoas precisam viver, é como se fosse um combustível para o resto do ano”.
 
Mas, pelo menos como forma de conforto, o bispo Dom Paulo explica que os fiéis poderão vivenciar parte das celebrações, mas de modo limitado. "Vamos ter menos celebrações, pois serão transmitidas pelos meios de comunicação. Alguns ritos vamos omitir. Algumas paróquias vão fazer procissão de carro, sem fiéis, com as imagens de Nossa Senhora das Dores, Senhor Morto e Ressuscitado, na sexta-feira Santa e no domingo de Páscoa”, explica o líder católico. O bispo reforça que ainda pretende encontrar maneiras para que as pessoas possam receber a comunhão de Cristo, mas sem aglomerações.
 
O religioso ainda aproveitou para convocar os fiéis para que não deixem de celebrar, mesmo que à distância. “Vamos celebrar a Semana Santa com fé, mesmo em casa, pois esse é o caminho por onde Deus conduz a nossa história. Vamos estar em comunhão com Jesus e com todos aqueles que sofrem. Só assim vamos entender a Páscoa e a ressurreição”, disse Dom Paulo.

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