A Prefeitura de Franca anunciou, no fim da tarde desta quinta-feira, 18, uma série de medidas para tentar conter o avanço do coronavírus. Pelo menos de início, o transporte coletivo era um dos serviços que seriam paralisados da próxima segunda-feira, 22, até a terça-feira da outra semana, dia 30. Mas a reação dos usuários do transporte público fez o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) recuar.
Antes de Alexandre anunciar a revisão da medida, o GCN ouviu francanos que usam o transporte coletivo. O estudante Breno Henrique Alves, de 17 anos, ficou surpreso ao saber que os coletivos poderiam parar de operar. “Eu fiquei um pouco chocado. Sem as linhas, não sei como vou fazer para trabalhar. É o jeito que a gente tem para ir ao trabalho sem gastar tanto. É essencial para mim. Se eu for utilizar o Uber, vou gastar bem mais dinheiro”, comentou.
Apesar disso, o jovem concorda com uma paralisação momentânea. “Olha, a gente chegou a 100% da lotação dos leitos de UTI. Acho que é importante parar um pouco. Querendo ou não, os ônibus geram muita aglomeração.”
Quem discorda da parada é a também estudante Thaís Alencar, 21. Para ela, a solução seria o caminho inverso: aumentar o número de veículos que funcionam no transporte coletivo. “Os ônibus que uso estão lotados desde o início da pandemia. Eles diminuíram o número de rotas. Mas, quem decide isso, com certeza, não utiliza o serviço. Não entendo a matemática dos que organizam isso. Deveriam melhorar e aumentar a quantidade de veículos na rua. É ridículo diminuir o número de linhas para diminuir as aglomerações. Acontece o contrário.”
A estudante também comenta que ficaria em uma situação complicada sem o transporte. “Ou eu venho a pé, ou vou ter que gastar um dinheiro que não tenho para seguir estudando e trabalhando. Difícil você precisar, depender deste serviço.”
Leonardo Vinícius dos Santos, de 22 anos, opera como atendente de um petshop e também reagiu de maneira negativa com a possibilidade da paralização dos ônibus. “A gente necessita do transporte público para trabalhar. Vai acarretar diretamente na minha rotina. Vou precisar ir trabalhar de Uber e, consequentemente, gastar mais que o dobro do que gasto. Acho que têm maneiras melhores de se tentar conter esse vírus, como, por exemplo, diminuindo as filas em supermercados e outros estabelecimentos.”
Na opinião da aposentada Nora Neiva, de 59 anos, uma possível suspensão dos ônibus complicará muito a vida dos usuários. “As dificuldades vão aparecer para as pessoas que dependem do transporte coletivo para trabalhar e para as que os utilizam para se locomover até serviços de saúde, assim como eu, que vou no NGA”, disse.
Ela também diz que utilizar os coletivos não tem sido tarefa fácil, já que a possibilidade de se contaminar com o coronavírus preocupa. “A gente fica com medo. Não é uma sensação boa. Está muito arriscado.”
Mudança
Em uma breve live realizada às 17h desta sexta-feira, 19, o prefeito Alexandre Ferreira anunciou que o transporte público será liberado para trabalhadores e que o número de ônibus será aumentado nos horários de pico. “Para que as pessoas que precisem ir ao trabalho consigam fazê-lo com segurança”, disse o prefeito.
Apesar disso, as linhas que rodam fora dos espaços de tempo com maior fluxo de usuários serão suspensas quando as medidas de restrição entrarem em vigor. A especificação com os horários de rodagem de cada linha de ônibus será publicada no Diário Oficial deste sábado, 20.
Alexandre ainda aproveitou o pronunciamento para pedir que as pessoas orientem os idosos e aposentados a não circular sem necessidade. “A situação é crítica. Diariamente, 5 mil pessoas dessa faixa de idade estão andando no transporte coletivo em Franca. Peço que as famílias conversem com seus idosos e aposentados. Eles precisam se resguardar. Se a coisa piorar, não teremos leitos de UTI. Só vamos sair dessa situação com a união de todos.”
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