Ainda sob os efeitos do Projeto de Lei aprovado pela Câmara Municipal de Franca e a suspensão da própria Lei pela Justiça na semana passada, os vereadores Marcelo Tidy (DEM) e Gilson Pelizarro (PT) trocaram farpas durante a sessão na manhã desta terça-feira, 16.
A Lei em questão - de autoria de Zezinho Cabeleireiro (PP) e Marcelo Tidy - declarava várias atividades essenciais na cidade. Durante a votação, apenas o petista votou contra, alegando inconstitucionalidade do projeto proposto. A votação ficou 13 a 1. Dias depois, o TJ suspendeu não só a Lei como também o decreto do prefeito Alexandre Ferreira (MDB).
Pelizaro seria o último a usar a Tribuna, mas Tidy pediu para falar no final. Nesse momento, Pelizaro chamou Tidy de “veiaco”. Já posicionado na Tribuna, Tidy respondeu: Não sou “veiaco” não. "A gente fica triste quando alguns colegas tentam jogar a população contra a gente. Eu respeito o jeito de cada um trabalhar. Mas não aceito as pessoas falarem que estávamos enganando as pessoas. Eu não engano ninguém. Quando as pessoas nos procuram, com falta de leite, de comida, é nisso que a gente pensa”. Se nós erramos não foi por negligencia, foi querendo ajudar as pessoas, as famílias”, disse Tidy.
Em seguida, foi a vez de Pelizaro usar a Tribuna. Ele disse que fez uma brincadeira com o colega, que queria mudar a ordem dos discursos. “Veiaco” foi no sentido de brincadeira. Não foi desrespeito ao colega. Ele me conhece bem”, iniciou. “Sou eu quem votei contra. Essa é minha opinião e não vou mudar.
Eu não sou daqueles que falam uma coisa aqui e lá fora fazem outra. Existe um decreto estadual que é superior ao decreto municipal. Estava escrito nas estrelas que o Projeto seria tido como inconstitucional”, disse Pelizaro.
O petista acrescentou que o decreto de Alexandre Ferreira prejudicou os comerciantes. “O decreto ainda prejudicou os comerciantes, porque eles fizeram estoque e tiveram que fechar. Ficou pior”.
O parlamentar arrematou dizendo que é o nome da Câmara que fica arranhado com uma situação dessa. “Quando uma matéria é aprovada ou não é o nome da Câmara que aparece. Fico preocupado com o nome da instituição ao gerar uma expectativa nas pessoas e isso não funciona”.
Zezinho Cabeleireiro, que já havia discursado primeiro, usou argumentos na mesma linha do colega que dividira o Projeto. “Não fizemos um projeto para enganar ninguém. A vontade é que o comércio funcione. Já foi comprovado que no trabalho não pega (coronavírus). O projeto foi pra ajudar nossa cidade, nosso comércio. O governador está conseguindo quebrar o Estado (de São Paulo), que é um dos mais ricos do país”, disse.
Nada sobre os protestos sobre 'intervenção militar'
Sobre o manifesto na cidade, nesta segunda-feira, 15, que pedia intervenção militar no STF e apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ninguém na Câmara de Franca se manifestou. Nem mesmo Lurdinha Granzotte (PSL) que participou do ato na cidade. Apenas Pelizaro disse algumas palavras: “Estamos num pais democrático e temos que respeitar as Leis e a Constituição. Quem está lá foi eleito, com votação nas urnas”.
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