CORONAVÍRUS

Internações crescem há duas semanas, e lotação nas UTIs da região volta aos 80%

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Gráfico mostra aumento no número de internações de pacientes com covid na região
Gráfico mostra aumento no número de internações de pacientes com covid na região

A região de Franca, que engloba 22 cidades, registrou nesta semana o pior cenário em número de internações de pacientes covid-19, durante toda a pandemia, que já dura há cerca de um ano. Neste domingo, 14, a região bateu um novo recorde negativo, com 108 pessoas internadas em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). A taxa de ocupação hoje chegou a 79,4%.

O problema pode ser maior ainda, já que nunca foram disponibilizados tantos leitos quanto agora e a ocupação continua crescendo, a cada dia. No dia 6 de março, esse número estava na casa dos 62%.

Para Franca e região, fevereiro deste ano foi o pior mês desde o início da pandemia: recordes em casos e mortes. Na média geral, o Estado de São Paulo só registrou altas no fim de fevereiro, início de março - a taxa de ocupação de UTIs Covid alcançou 85,72% em todo o Estado.

Segundo o médico infectologista Rubens Pereira, o momento é de cuidado. “Nós podemos observar o índice de internação em Franca, Ribeirão Preto e região subindo muito. E o duro é que o pior não passou. O número de internação está aumentando, de diagnóstico e de óbitos também", disse. "Eu acredito que vamos enfrentar uma situação delicada por mais uns 40, 50 dias. Motivo pelo qual temos que fazer mais ainda nossa parte”, completou o especialista.

Hoje a ocupação na região está na casa dos 79,4%, aumentando dia a dia. Em janeiro, quando a região registrou 85,92% de lotação, o número total de leitos em todas as cidades era de 100, quantidade menor que pessoas internadas atualmente. Ou seja, se as cidades não abrissem mais leitos, o sistema de saúde da região estaria colapsado.

“As nossas vagas de UTI estão indo embora. E, muitas vezes, os pacientes precisarão ser transferidos para outras cidades e isso é muito delicado. Ou por vezes ficarão em filas de espera por vaga na UTI e vindo a falecer. É preocupante. Angustiante. Toda vez que a gente tem um caso que envolve um amigo ou familiar, aí realmente a gente sente de verdade, no coração, a necessidade de fazer a nossa parte. Pode parecer repetitivo, mas precisamos fazer a nossa parte, praticando todas as medidas sanitárias”, reforçou o especialista.

Março também vem registrando recordes na média móvel de internações, atualmente está em 29 internações por dia. A média vem subindo desde o dia 5 de março, quando era de 17 novas internações diárias. Atualmente, a região está com a maior taxa de internação desde o dia 6 de agosto, quando a média foi de 31 internações diárias.

Em Franca, os números são ainda mais preocupantes. Ontem, a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid na cidade era de 81,7%, com 67 pacientes internados nos 82 leitos existentes. No meio da semana passada, a lotação era ainda maior: 84%.

Mas, mesmo com o agravamento da pandemia, a cidade viu a Câmara aprovar lei que tornava diversas atividades econômicas serviços essenciais e o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) relaxar as regras do Plano São Paulo.

Neste fim de semana, após uma derrota na Justiça e ver seu decreto ser derrubado, Alexandre recuou e aderiu às medidas mais restritivas impostas pelo Estado.

 

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