A vacinação contra o coronavírus em idosos com 90 anos ou mais começou no dia 8 de fevereiro em Franca. Depois de três semanas, essa faixa etária teve também a segunda dose disponível nos postos de imunização da cidade. De lá para cá, a proporção de mortes entre indivíduos do grupo prioritário teve uma queda de aproximadamente 66%.
Fazem parte desse público cerca de 1.535 idosos. Até fevereiro, eles representavam 9% das vítimas registradas no Boletim Epidemiológico da Prefeitura. Março, apesar de ainda estar praticamente na metade, já é o terceiro mês mais letal da pandemia, e os idosos com mais de 90 anos representam apenas 3% das mortes.
Uma queda considerável também aconteceu, na proporção de mortes entre os idosos com 80 anos ou mais. Em fevereiro, os óbitos nessa faixa etária eram 40% do total das vítimas; em março, no entanto, elas representam até o momento, 20%.
Segundo o médico da Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa, ainda não é possível afirmar que essa queda é um reflexo da vacinação, embora haja sinais que nos levem a esse pensamento.
“Presumimos que o impacto da vacinação possa acontecer de pelo menos três a quatro semanas após a segunda dose. Então não creio que isso possa ter refletido na diminuição do perfil”, disse Homero. “É mais provável que seja mesmo uma dinâmica da pandemia que está modificando e atingindo as pessoas mais jovens, já que foram muitos afetados ao longo de um ano, especialmente os idosos avançados.”
Homero ressaltou que tudo não passa de hipóteses e que é necessário mais tempo para análises confiáveis. O infectologista Rubens Pereira também afirmou que a doença passou a atingir pessoas mais jovens e, por isso, ainda é preciso cautela.
“O perfil de vítimas está mudando, realmente. Sabemos que essa cepa nova atinge muitas crianças e adolescentes, além de transmitir mais. Cada vez mais está aumentando a internação de jovens e o óbito dos mesmos. Agora, como a faixa acima de 77 anos está sendo vacinada, nós acreditamos, à medida que essa faixa etária for melhorando e mais gente for vacinando, que cada vez mais vamos ter menos idosos internados. Isso é muito bom”, disse o infectologista.
Apesar da melhora nos dados, muitos idosos ainda são acometidos pela doença e Franca não teve suporte para investigar a atuação ou não da nova cepa – que confirmaria a causa de pacientes mais jovens em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) na cidade.
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