AÇÃO VIRTUAL

A tropa em shock: em ataque contra a vacina

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Reprodução
Membro do grupo chama enfermeira de
Membro do grupo chama enfermeira de

Os membros do grupo secreto auto intitulado " A Tropa em shock", formado para atacar e destruir pessoas que de alguma maneira discordam do governo federal, coordenaram ataques em massa e frequentes a apoiadores da vacinação contra a Covid-19.

Uma das vítimas foi a advogada francana Lívia Franchini. Em 15 de janeiro do ano passado, ela publicou uma postagem que dizia "Sem oxigênio, sem vacina, sem governo". Em pouco tempo, Viviane Bertoni Araújo, membro atuante do grupo, deu o comando: "Hahaha com força na pandeminion", escreveu ao compartilhar a postagem da advogada.

Nos comentários da época, a advogada chega a comentar que tinha bloqueado quem entrou no espaço para atacá-la. Procurada pela reportagem, ela preferiu não se manifestar.

Mas ela não foi o único alvo. Os membros da "tropa" rotineiramente chamam os primeiros a tomar a vacina de "cobaia", quando o termo não vem acompanhado de outros termos ainda mais ofensivos. "Pq td enfermeira cobaia tem que ser gorda", questionou Paulo Radamés, também em janeiro. 

Além de cobaia, “VaChina” era uma palavra usada com frequência enquanto eles coordenavam ataques aos perfis que, segundo eles, precisavam ser destruídos. "(...) recomendo fazerem ataques coordenados pois o inimigo é grande, dêem preferência para ataques de madrugada (...)", instruiu Luiz Diego Araújo Constante.




 

Quando a vítima tomava providências, como fechar as postagens públicas - maneira pela qual os posts aparecem apenas para quem for amigo do perfil - a guerra não terminava. Como disse Viviane Bertoni Araújo, dava "para atacar as outras (postagens)".

 

Racismo e homofobia

Nas postagens, os membros da tropa também não tinham nenhuma restrição para fazer comentários racistas e homofóbicos.

Sem nenhuma explicação de motivos, em 27 de janeiro o membro Jean Batista deu o “salve” para um ataque “soviético” na rede social de Ivan Urder. “Soviético na b1ch1nh@ incomodada! (sic)”. Logo na sequência, marcou vários membros para pedir ataques em todas as postagens do rapaz. 


Da mesma maneira, o racismo era praticado abertamente. Comentários sobre Marielle Franco, vereadora negra do Rio de Janeiro que foi morta a tiros, tem a história e apoiadores ironizados frequentemente. Até mesmo o lançamento de uma camisa do Palmeiras recebeu ataques.

O lançamento da música Bumbum Tantan, uma brincadeira com o nome do Instituto Butantã, o fabricante da vacina no Brasil em parceria com a coronavac chinesa, também não passou despercebido.

“Correm lá e já pesem o fato do O gênio (escravo) ser negro rss”, escreveu Wesley Patrick Silva em 23 de janeiro. 

 

Conscientes dos problemas que as postagens podem gerar tanto na esfera cível quanto na criminal, os administradores apagaram o grupo do Facebook. 


 

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