O mês de março marca o primeiro caso positivo de coronavírus registrado em Franca e a publicação do primeiro decreto da prefeitura sobre a pandemia. O paciente positivado, à época, morava em outra cidade, mas realizou o teste em um hospital particular de Franca. O resultado saiu em 27 de março de 2020 e foi confirmado pela Vigilância Epidemiológica.
O primeiro decreto de emergência de combate ao vírus havia sido baixado pela prefeitura cerca de uma semana antes, no dia 19. A partir da segunda publicação, o decreto já passou a ser de calamidade pública. Até este sábado, 6, foram 26 decretos com medidas para conter o novo coronavírus que entraram em vigor no município.
O médico Homero Rosa, que desde o início da pandemia está à frente da Vigilância Epidemiológica de Franca, ajudando na elaboração das medidas, disse que o vírus continua surpreendendo. “A forma de propagação extremamente rápida, o acometimento muito grave de pessoas que teoricamente não teriam motivos de saúde debilitada para ter tanta gravidade e as vezes até ir a óbito, assim também como preserva algumas pessoas que têm imunidade baixa, com pouca possibilidade de resposta e acabam sobrevivendo ao vírus. No início a gente achava que ia durar uns três, quatro meses, um grande ciclo, depois diminuiria”, afirma. A realidade não podia ter sido mais diferente.
Nesse um ano de pandemia, Homero destaca que a única esperança, de fato, tem sido o início da oferta de vacinas, desenvolvidas em tempo recorde. “Isso que nos garante uma perspectiva de otimismo para daqui uns meses, até o final do ano, pra que a gente possa ter um controle da epidemia. Já ficou mais do que claro a grande dificuldade de restrição da população, de alguns segmentos que se expõe de maneira desenfreada ao vírus, fazendo explodir os casos, o sistema de saúde, pessoas indo mais a óbitos. Precisamos de uma contrapartida que é a vacinação em massa da maneira mais rápida possível pra que a gente possa novamente tentar voltar à normalidade”, afirma.
Ele diz que a ciência está avançando a passos largos, mas ainda há muitas dúvidas em relação ao futuro comportamento do vírus. A única certeza é qie a imunização é a melhor alternativa colocada. “Com a vacinação, a tendência é que essas variantes diminuam cada vez mais a força, e nós estamos com essa perspectiva de realmente controlar o vírus na sua forma maior pra podermos ter tranquilidade nos próximos meses”.
A empresária Evelyn Urban Prado, que perdeu o marido em decorrência à Covid na primeira onda da doença, lamenta que as pessoas não sigam as orientações de segurança. “Após um ano de pandemia, infelizmente muitas pessoas continuam desrespeitando esse grande inimigo que nos ronda e que a ciência está buscando, de maneira louvável, encontrar formas para combater. Quem passou pela perda de um ente querido devido a esse inimigo sabe o rastro imensurável que fica”, disse. “A sensação de não ter fechado um ciclo não passa. Você fica esperando pelas últimas palavras, pelo último abraço, pelo último adeus. Por mais que saibamos que a vida não termina aqui, a dor é imensa”, disse.
Maria Aparecida Leite da Silva, enfermeira da Santa Casa que lida com o vírus desde o início da pandemia, também acreditava que o desafio seria superado mais rápido. “Esperava que passaria rápido, mas com o despreparo dos administradores, com o negacionismo, falta de cooperação da população, tudo contribuiu para que chegássemos a este nível que estamos. O pior ainda está por vir, pois não temos liderança, fiscalização, vacinação em massa, e o povo continua nas ruas”, disse a enfermeira, que teve seis casos de coronavírus na família - e, infelizmente, uma morte.
Também foi em março de 2020, mais precisamente no dia 18, que o médico e presidente da Unimed Franca, Daniel Haber, divulgou através de uma transmissão ao vivo pelo Facebook, uma projeção de casos sobre o novo coronavírus para a região de Franca. Seus prognósticos foram considerados dramáticos e excessivos, mas o tempo comprovou que nem de longe sua preocupação era desmedida.
Mesmo com as medidas de restrições impostas pelas autoridades no combate à doença, somente o município de Franca contabiliza quase 20 mil casos positivos e 365 mortes até sábado, 5.
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