OUTROS ALVOS

'As pessoas precisam entender que a internet não é terra de ninguém', diz jornalista

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
WhatsApp/GCN
Membros do grupo atacam jornalistas e moradores de rua
Membros do grupo atacam jornalistas e moradores de rua
Uma das classes que têm recebido ataques da 'A tropa em shock’, grupo com mais de 400 pessoas no Facebook, é a dos jornalistas. Não só o jornalista Corrêa Neves Jr., como exposto na reportagem publicada pelo portal GCN, se tornou alvo do grupo. Após a repercussão da matéria, outros membros da imprensa decidiram relatar as ofensas recebidas. 
 
Marcella Murari, que exerce a função há 11 anos, conta que se tornou alvo de membros do grupo após não concordar com algumas posturas racistas, homofóbicas e gordofóbicas. “Estava com uma agência de notícias, eu e a minha ex-sócia fomos alvos dessas pessoas. Eles postavam figurinhas, tiravam sarros e criaram uma página chamada Sociedade Engatilhada (remetendo ao nome da agência Sociedade Organizada), com uma arma apontada para uma mulher muito gorda, em alusão ao meu peso.”

 
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Entre os membros do grupo, a jornalista reporta até policiais, além de pessoas que fazem comparações para tentar menosprezar sua função. “Até quem compara jornalista com morador de rua, dizendo que somos tão incômodos quanto. Como se morador de rua não merecesse nenhum tipo de dignidade e que você tem que fechar o vidro para não agredi-los.”
 
Esse tipo de ataque fez com que Marcella registrasse uma queixa na Delegacia Seccional de Polícia, mas que foi arquivada e até hoje está suspensa. “Fomos até a Delegacia Seccional e registramos uma queixa crime de calúnia, injúria e difamação. Temos prints, provas e testemunhas.” No entanto, o inquérito não prosperou.
 
Por não saber, até a veiculação da reportagem, de outras pessoas que foram alvos do grupo, a jornalista resolveu não insistir com o caso. Agora, vendo toda a situação, se sentiu encorajada. “Eu tinha me mantido em silêncio até então, por medo de represálias e pelo que pudessem fazer comigo. Mas, depois dessa reportagem, eu vejo que não sou a única, que não fui a primeira nem que vou ser a última. As pessoas precisam entender que a internet não é terra de ninguém”, finalizou. 
 
Outros jornalistas, em um grupo fechado para membros da imprensa, também relataram situação desagradáveis com membros da ‘tropa’. Um desses profissionais afirmou que os ataques foram um dos motivos que o encorajaram a deixar Franca.

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