NECESSIDADE

Sem auxílio federal, famílias sofrem enquanto aguardam o Renda Franca

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo Pessoal
 Ana Carolina dos Reis, 27, desempregada desde o início da pandemia, é uma das muitas pessoas que aguardam os desdobramentos do auxílio municipal para ajudar nas contas de casa
Ana Carolina dos Reis, 27, desempregada desde o início da pandemia, é uma das muitas pessoas que aguardam os desdobramentos do auxílio municipal para ajudar nas contas de casa

Com a pandemia e o fechamento de muitas empresas, famílias francanas conseguiram, através do auxílio emergencial do governo federal, se sustentar por alguns meses. Com o fim do benefício em dezembro de 2020, estas pessoas ficaram desassistidas e sem ter onde recorrer com o desemprego crescente na cidade.

Esta realidade assola diversas famílias que passam por dificuldades para adquirir renda. O município já contava com mais de 27% da população com renda mensal per capita de até meio salário mínimo, de acordo com o último senso do IBGE, feito em 2018. Essa parcela da população se enquadra em um dos requisitos divulgados pelo prefeito Alexandre Ferreira (MDB) para concorrer ao programa Renda Franca – que será uma espécie de auxílio emergencial municipal.

Um reflexo disso é a moradora do Jardim Luiza, Sônia Aparecida, de 54 anos. Ela é separada e mãe de dois filhos. Desempregada há mais de seis anos, hoje mora sozinha e vende panos de prato nas ruas da cidade para tentar se sustentar. Desde criança ela sofre com um problema nos olhos e tem dificuldades para encontrar um emprego. “Meus meninos estão casados, mas também não têm condições de me ajudar. Todos os dias eu saio para tentar vender meus panos, mas ultimamente não está fácil. Ninguém compra”, relatou a senhora.

“Desde criança sofro com um problema nos olhos que me atrapalha muito, mas não tenho condições de tratar como deveria. Este problema também me atrapalha na hora de conseguir emprego, tanto que faz seis anos que estou desempregada. Preciso muito deste auxílio”, concluiu.

Outra cidadã francana que sofreu as consequências da pandemia foi Ana Carolina dos Reis, 27. Ela era funcionária de uma loja do Franca Shopping, mas, com as restrições, a loja fechou e, desde então, não conseguiu um emprego. “Está muito difícil conseguir emprego. Já faz seis meses que a loja que eu trabalhava fechou por conta da pandemia e desde então não consegui outro trabalho”.

Carol é casada e mãe de um casal – o menino tem sete anos e a filha acaba de completar um ano. Desde que perdeu o emprego, seu marido é quem sustenta a família, porém o salário não é o bastante para levar uma vida tranquila e cuidar dos filhos. “Meu marido é atendente em uma loja e apenas com um salário mínimo é difícil manter a casa. Estamos passando muitas dificuldades, principalmente para comprar alimentos que estão muito caros”.

Após a reclamação sobre os alimentos, Ana foi questionada sobre conseguir cestas básicas distribuídas pela Prefeitura. De acordo com ela, o CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) não estava realizando cadastro no dia que ela tentou. Uma fonte ligada a um dos CRAS da cidade informou que os cadastros já estão normalizados, mas que há uma fila para distribuição das cestas e a prioridade é atender as famílias que já estão cadastradas e ainda não foram contempladas.

No último mês, a Prefeitura recebeu mais de 12 mil pedidos de cestas básicas e conseguiu atender pouco mais de 10 mil delas. Entre os meses de janeiro e fevereiro, foram mais de 1.200 fornecidas. De acordo com a Prefeitura, em fevereiro foram adquiridas mais 5.500 unidades, com uma licitação de R$ 1,1 milhão.

Outra família afetada com as dificuldades de manter uma renda ao longo da pandemia do coronavírus é a de Sônia de Almeida Alves, 48, moradora do Jardim Francano. Casada e mãe de dois filhos – um de 7 e outro de 11 - ela perdeu o emprego em março de 2020, logo no início da pandemia, e desde então não conseguiu outro emprego fixo, apenas “bicos”. “Eu era auxiliar de cozinha em um restaurante, mas demitiram muitos funcionários e eu fui um deles. Desde então eu tento alguns bicos em cozinhas, mas nada duradouro”, relatou.

Com as dificuldades financeiras, precisou se mudar para a casa dos sogros no Leporace, mas logo voltaram para a antiga casa. “Era complicado com as crianças, não deu muito certo morar na casa dos meus sogros. O jeito foi voltar para casa e começar a fazer bicos de faxineira. Já meu marido começou a fazer corridas em aplicativos”.

Ela ainda conta que para o marido trabalhar precisou alugar um carro, mas não foi possível mantê-lo por muito tempo devido aos altos custos. Temos entregado currículos em toda a cidade, mas nunca temos resposta”, lamentou.

Eduarda Oliveira, de 27 anos, é separada e mãe de dois filhos – um de sete e a outra de quatro anos. Há 8 meses era funcionária em uma fábrica de sapatos, mas após algum tempo de quarentena o patrão demitiu todos os funcionários por não ter mais condições de arcar com os custos. “Quando saí da fábrica comecei a mexer com cabelo e receber clientes em casa, mas com a movimentação da clientela aumentando percebi que estava colocando meus filhos em risco e decidi parar”.

Após um tempo sem emprego, Eduarda precisou entregar a casa que morava e ir morar com os pais para conseguir se manter. Ela recebia o auxílio emergencial, mas com o fim dele, ficou sem saída. “Sem ganhar dinheiro não tinha como arcar com alimentação para meus filhos e pagar o aluguel, então ir para casa dos meus pais foi a única solução. O auxílio me ajudou muito e fez com que eu conseguisse levar por um tempo, mas com o fim dele, voltei para a estaca zero”, lamentou.

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