Neste domingo, 28, termina a temporada restrita de pesca, conhecida como piracema. Desde 1º de novembro do ano passado, é proibida a captura, transporte e armazenamento de todas as espécies nativas de peixes durante o período, já que abrange a época de reprodução da maioria delas. Um balanço da Polícia Ambiental de Franca, no entanto, registrou infrações quase que diariamente em 22 municípios da região.
"A quantidade de peixe está ficando escassa. Tanto em questão de peixe nativo, quanto de peixe que é produzido o ano todo, como tucunaré e tilápia. Antigamente o pessoal saía para pescar e voltava com duas ou três caixas de peixe. Hoje em dia isso é muito", explica Rafael Machado. Até três anos atrás, Rafael era pescador profissional, mas com as dificuldades na área, hoje ele trabalha em uma loja de artigos de pesca em Franca. "Eu comecei desde criança, sou apaixonado em pesca, mas deixei de viver disso há três anos. Sem recurso, infelizmente, é muito difícil viver só com a pescaria", disse.
Isso porque quando Rafael deixou a pesca profissional, o governo federal já não oferecia devidamente o "Seguro Defeso", uma forma de renda aos pescadores artesanais no período da piracema. "Chegava no período de proibição da pesca e nós não tínhamos nenhum outro tipo de recurso. Isso acontece muito na nossa região. Foi onde eu saí da pesca e vim para a loja".
Diferente de Rafael, que migrou para o comércio, muitos pescadores, sem alternativa, continuam com a pesca mesmo no período de reprodução. "Tem dois lados da moeda: a questão do profissional não ter a garantia do governo e também a questão dos peixes. Se ele não pescar, não vai ter o que comer, mas se continuar pescando, os peixes vão acabar. É preciso uma medida governamental para resolver isso", afirmou Rafael.
Além de políticas públicas, a pesca consciente é uma das saídas cruciais para evitar a extinção das espécies. Em sua vida de pescador, Rafael já presenciou muitas vezes a chamada "pesca predatória". "O pessoal sai com cinco mil metros de rede e pegam o que vê pela frente. É uma pesca desenfreada e é por isso que o período de piracema é tão importante. Ela garante que peixes nativos continuem reproduzindo", disse.
Polícia Ambiental
Mas muitas pessoas parecem não se preocupar com isso. O primeiro-tenente, Eufrásio, comandante da Polícia Ambiental de Franca, relatou diversas infrações durante esses quatro meses em 22 municípios que compreendem a região, como Pedregulho, Jaguara, Rifaina, Igarapava e Miguelópolis.
"Foram operação diurnas, noturnas, de tarde e de madrugada. Todos os períodos tiveram policiamento náutico e registramos muitas infrações, principalmente no Rio Pardo. Lá, durante a piracema, não pode pescar de forma nenhuma. Nenhuma modalidade, nenhum tipo de peixe. Integralmente fechado", disse o tenente.
A Polícia Ambiental recebeu quase que diariamente, denúncia de pessoas pescando de forma irregular e com apetrechos não permitidos. "Houveram muitas ocorrências de pesca em relação ao desrespeito do período de piracema, então foram apreendidos embarcações, motores, varas de pesca, redes, tarrafas e os pescados. Alguns até conseguiram evadir, mas a gente tinha uma equipe que ficava por conta de executar o patrulhamento náutico e terrestre praticamente todos os dias".
De acordo com o tenente, um balanço mais detalhado vai ser feito ao longo desta semana, com o registro de cada infração durante o período de quatro meses.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.