A semana: o Antes e o Depois

Por Sirlene Ap. Pessalacia Barretto | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 4 min

O livro A Semana: o Antes e o Depois é uma obra editada pela Ribeirão Gráfica Editora. Está em sua primeira edição, lançada no mês de fevereiro de 2021, pelo escritor Luiz Cruz de Oliveira, oriundo da vizinha cidade, Cássia – Minas Gerais, e pela francana Marilurdes Cruz Borges.

Luiz Cruz, professor muito conhecido, é francano de coração, reside há 70 anos, aqui, na cidade de Franca. Em suas magníficas aulas,dissemina seus conhecimentos da língua portuguesa e literatura para centenas de alunos. Referência na cidade, sempre que se pensa em concurso público ou que se queira aprofundar conhecimentos na nossa língua portuguesa, o primeiro nome que vem à mente é o dele.

Cruz é professor e escritor de longa data e hoje juntamente com sua filha Marilurdes – doutora em linguística e língua portuguesa, docente em cursos de pós-graduação e divulgadora da escrita científica na pesquisa e no campo editorial – entregam ao público essa obra composta de histórias, não só da literatura brasileira, mas marcada de acontecimentos de uma época cheia de poesia e lirismo, bem como de controvérsias, como foi a Semana de Arte Moderna ou a Semana de 1922, que dá início ao movimento do Modernismo no Brasil.

O livro é prefaciado pela Doutora Maria Flávia Figueiredo, uma baluarte das letras francanas, que de forma assertiva, detecta, na obra de Luiz Cruz e Marilurdes, a força dos acontecimentos no palco cultural da Nação, os quais, nas veredas profundas do texto, o leitor vai se identificando e ficando cada vez mais arrebatado pelo enunciado.

Já nas primeiras páginas, os autores nos fazem um alerta: trilhar uma história literária se semelha a desbravar caminhos, utilizando facão, machado, armas e outras ferramentas, a fim de buscar a compreensão humana,perscrutando e navegando em águas insondáveis e infinitas de mundos interiores. A literatura já é em si um permanente abrir veredas, um permanente indagador da alma humana. A Semana de Arte Moderna no Brasil resultou em um marco do antes e do depois, conforme bem tratam Luiz Cruz e Marilurdes.

A leitura da “A Semana” leva o leitor a compreender não apenas a construção e a formação literária brasileira, mas os sentimentos de um povo traçados através dos tempos, expressos pela literatura e na literatura. É um delinear de uma cultura e da identidade de uma sociedade que, a cada passo e em cada época, traduz o pensamento e a tradição dessa gente, utilizando como marco a Semana de Arte Moderna.

Os autores partem dos expoentes da época colonial, das composições satíricas, cantando suas terras, concebendo cidades e habitantes, os quais representam ainda hoje as características nacionalistas identitárias.

O “Antes” é registrado e bem demarcado com os escritores românticos, que aguçaram o espírito de brasilidade, através da prosa e da poesia, traçando o perfil de um povo e de uma cultura nascente, ganhando força na alma dos leitores.

Cruz e Marilurdes, de forma lírica e poética, vão caracterizando cada período formador da literatura brasileira. Passa pelo Realismo-Naturalismo, pelo Parnasianismo, apresentando seus expoentes maiores que envolvem os leitores nas

suas genialidades e na forma concisa e precisa de descrever a sociedade e o homem dessa época. Não deixando ainda de demonstrar fatos que marcaram o mundo no final do século XIX e começo do século XX.

Os autores convidam e conduzem o leitor a um passeio ao passado. De forma leve e gostosa, adentra as várias áreas que marcaram o mundo historicamente, mudando e delineando o pensamento do homem brasileiro por meio de uma evolução social e artística até chegar à Semana de Arte Moderna.

A semana de Arte Moderna deu-se encabeçada por Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Di Cavalcanti, entre outros jovens idealistas de famílias abastadas que, na sua maioria, puderam estudar e conhecer outros países, formando mentes críticas e criativas.

A Semana de Arte Moderna foi um divisor de águas e, ao mesmo tempo, considerada um escândalo na cultura do país. Foram jovens rebeldes que desencadearam um movimento de vanguarda, contado com maestria pelos autores de “A Semana”.

O texto, a princípio, parece-nos despretensioso, mas não se engane, é rico em insinuações, profundo nas suas entrelinhas e cheio de veredas que levam os leitores a encontrar posições de rupturas e transformações, fazendo-os identificar as características de um povo e refletir sobre sua formação cultural.É um livro marcado pela estética, pela poesia e abarrotado de lirismo.

Quem lê “A Semana: o Antes e o Depois” faz um retorno ao passado, adentra em um mundo construído pelos sentimentos de patriotismo, idealismo, romantismo e pela rebeldia que desconstrói padrões e nos leva a um mundo novo e moderno. Vale muito a pena ler e degustar essa obra!

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