“A festa mais importante do nosso calendário é a Pascoa, quando celebramos a paixão, morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo”. As palavras do Bispo Dom Paulo ilustram a importância da data para milhares de cristões e, principalmente, católicos, que utilizam a Quaresma como preparação para o Domingo Pascoal, no dia 3 de abril. Com início na Quarta-feira de Cinzas, dia 17 de fevereiro, o período de Quaresma encerra no dia 1° de abril, antes da missa da Ceia do Senhor. Os mais de 40 dias são marcados por ritos, significados e celebrações.
A Quaresma é a preparação para a Páscoa. Nesse período, os cristãos relembram os 40 dias que Jesus Cristo passou no deserto. É um momento em que as pessoas refletem sobre suas atitudes e intensificam sua fé.
A Quaresma também é um tempo de penitências. Hoje, embora não obrigatórias, três práticas penitenciarias são recomendadas no período, visando o fortalecimento da pessoa com Deus, consigo e com o próximo. São elas: oração, jejum e esmola. “A oração celebra o nosso relacionamento com Deus. O jejum é o relacionamento comigo e com a natureza. A esmola é um relacionamento com os outros, na pratica de solidariedade, justiça, honestidade e perdão”.
Nessa época é comum inúmeras pessoas jejuarem. Abdicam, principalmente, da carne vermelha e/ou bebidas alcoólicas, ainda que a Igreja aceite o ato com qualquer alimento ou bebida. O Bispo alerta que jejuar não é apenas abrir mão do alimento. “Lembramos que não é apenas deixar de beber ou comer algum alimento, mas prestar atenção na nossa vida, no relacionamento com a gente mesmo, viver a natureza, sobriedade, paciência e desapego”.
Ana Lúcia de Oliveira, de 35 anos, diz que desde pequena foi educada a respeitar a Quaresma. Todos os anos ela faz jejum de carne no período como uma forma de devoção. “Desde pequena aprendi com minha avó paterna e com meus pais a ter respeito com o período da Quaresma. É como se ficasse esses 40 dias esperando o renascimento de Jesus. É um sentimento muito forte e vivo dentro mim. Todos os anos faço jejum e, também, um balanço do ser humano que estou sendo”.
A esteticista utiliza o tempo para se resguardar e refletir. “Nesse período, tento resguardar-me ao máximo, ficando mais próximo de Deus. Aproveito para refletir, jejuar, ajudar ao próximo e, especialmente, perdoar e tentar ser uma pessoa melhor”.
“Como ficam as celebrações?”
Algumas celebrações até a Páscoa sofreram mudanças devido a pandemia. As procissões de Ramos e da Sexta-Feira Santa, por exemplo, não acontecerão no formato tradicional. “Costumamos fazer uma procissão pelas ruas. Pedimos para evitar. Apenas a celebração e a benção dos ramos no momento certo. Procissões já tiramos”, afirma Dom Paulo.
A Missa do Lava-Pés, na Quinta-feira Santa (dia 1° de abril), e a celebração da Paixão, na Sexta-feira da Paixão (dia 2 de abril), também sofreram mudanças. Não serão permitidos os atos de lava-pés e de tocar a cruz. Apenas as missas serão realizadas em ambos os casos. “Então não vai ter o toque. A gente fará a celebrações e os gestos comunitários sem o toque”.
Embora as restrições, as missas e a Semana Santa acontecerão normalmente. Logo, respeitando todas as exigências de saúde, como o uso de máscaras e álcool em gel, distanciamento de cadeiras e respeitando a capacidade de ocupação permitida (atualmente, 40% do total). Já as confissões serão realizadas individualmente, mediante agendamento prévio do fiel.
Convite do Bispo Dom Paulo
O Bispo Dom Paulo convida aquelas pessoas que se afastaram da fé e da religião, que utilizem esse período de Quaresma para reforçarem os seus laços religiosos. “Nossa fé é em Jesus Cristo. O convite que a gente faz, principalmente, para aquelas pessoas que se afastaram, que elas procurem essa experiência mais forte da presença de Deus e Jesus Cristo que a Igreja oferece, no período da Quaresma através das celebrações”.
“Essas pessoas que se afastaram o convite que a gente faz é de retornar. A fé é muito importante em nossa vida. Esse momento da Quaresma é de intensificar ainda mais essa experiência religiosa”, finalizou.
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