O jogo eletrônico Cartola FC, criado em 2004 pela Globo, virou uma febre entre os amantes do futebol. Apesar de ser um fantasy game - jogo fictício -, ele se baseia em números reais dos jogadores que disputam a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Dentre os mais de sete milhões de jogadores, está o francano Lucas de Andrade Borges, 32 anos, que atualmente ocupa a segunda posição do ranking nacional.
Lucas é engenheiro químico de formação e trabalha com curtume. Casado e pai de dois filhos – Helena, 7, e Lucas, 2 -, começou a se aventurar no game em 2016, junto com um amigo. Desde então, era apenas um hobby para ele. “No começo ficou atrativo jogar com meu amigo por conta da resenha, gerou uma rivalidade entre nós que motivou a seguir jogando.”
Mas na atual edição do Cartola, as coisas mudaram. “Nunca imaginei. Foi acontecendo por acaso e quando olhei estava entre os 100 melhores no nacional. Foi quando tive noção que estava indo bem.”
No jogo eletrônico, cada "cartoleiro" escala seu time para a rodada real do Brasileirão e pontua virtualmente de acordo com o desempenho de cada um dos seus 11 jogadores e técnico dentro do campo de verdade.
Com regularidade nas escalações dos seus times, ele alcançou a 10ª posição na classificação geral ainda na metade do ano passado. Com oscilações – como é habitual do jogo -, teve quedas e ascensões até chegar onde está agora: o segundo melhor do Brasil. O Cartola premia os três melhores colocados no fim do campeonato, sendo o primeiro com um vale-compras de R$ 20 mil nas Casas Bahia – um dos patrocinadores do site. O segundo e terceiro também ganham vale-compras, mas de R$ 5 mil e R$ 3 mil, respectivamente.
Questionado sobre a expectativa para as duas últimas rodadas, o "cartoleiro" se diz esperançoso. "A expectativa é que sim [fique entre os 3 melhores], estou me dedicando para isso e todo fechamento de mercado é uma tensão enorme, tentando acertar o time ideal. Claro que, como todo jogo, tem o fator sorte, mas tem muita estratégia e estudo também.”
Lucas ainda relata que até seus antigos concorrentes agora torcem por ele. “Em outras ligas de Cartola que participo, todos estão torcendo para eu ir bem agora e ganhar o nacional.”
Amante do futebol, ele é torcedor do São Paulo e também é técnico do time de futsal do seu bairro de infância, Jardim Boa Esperança. O bairro é marcado pela quadra que fica ao lado do Senac, que serviu de inspiração para o nome do seu time no Cartola: “Sport Clube Senac”.
Como técnico, ele ganhou um torneio da cidade, chamado de “Copa da Paz” – realizado antes da pandemia do coronavírus. Agora, o francano tenta ganhar mais um título, virtual, que poderá torná-lo melhor que mais de 7 milhões de brasileiros.
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