REVOLTA

Indignados com ex-chefe da Vigilância em festa, setor de eventos se une para protestar contra Plano SP

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Membros do setor de eventos organizam concentração para protestar contra o Plano SP
Membros do setor de eventos organizam concentração para protestar contra o Plano SP
Artistas, produtores de eventos e donos de bares se uniram para protestar a favor do retorno das atividades em Franca. Pelo menos 245 pessoas fazem parte agora de um grupo no WhatsApp. O movimento se iniciou nesta terça-feira, 16, após indignação com a festa de casamento de Marcos Granzotti, irmão de Felipe Granzotti, até então chefe da Vigilância Sanitária e que esteve presente no evento.

A comemoração aconteceu em uma chácara em Cristais Paulista e foi denunciada por oito pessoas que viriam a se tornar membros do grupo. Um deles é Maicon Del Rio, da banda Nalu, e que se mostrou bastante indignado com o ocorrido. O músico afirma que, de forma educada e respeitosa, cumpriram as determinações da Vigilância, comandada por Felipe até ontem.

“O responsável por aplicar multas em organizadores de eventos e colaboradores não deixa ninguém trabalhar, e o próprio vai e faz uma festa. Precisamos de fiscalização e como eles deveriam fiscalizar a própria festa, nós fomos no lugar deles. Isso foi para eles sentirem na própria pele o que nós estamos passando durante esse último ano.”
A atitude estimulou Patrícia Zanin, que faz dupla com a irmã Priscilla, a criar o grupo, que inicialmente era apenas para artistas. Conforme foi adicionando um por um, vários foram entrando e, agora, é composto por 245 pessoas. “O grupo tomou uma proporção assustadora. Precisamos estar mais mobilizados pela nossa causa. Estamos há muito tempo parados.”

E a causa pela qual o grupo luta é o retorno das atividades artísticas e eventos, proibidos por conta da classificação de Franca na fase vermelha do Plano SP. A ideia é conseguir uma flexibilização. “Ninguém está para agir de forma irresponsável contra a saúde pública, mas sim, com uma flexibilização, para que a gente possa ter a dignidade de trabalhar”, completou Patrícia.

Um dos membros do grupo, um DJ que preferiu não se identificar, reforçou a indignação com Felipe Granzotti. Além disso, disse que os organizadores e artistas querem apenas trabalhar. “Não estamos roubando nem fazendo nada para ninguém. Queremos um dinheiro justo nosso. Como você mesmo viu, o próprio chefe da Vigilância estava num evento. Só queremos trabalhar.”
 
Outra artista, Desirê Thomaz, que está na área há mais de 30 anos, diz que o momento é horrível e que precisam trabalhar. “Estou indignada por estar parada, com a agenda lotada, desde o ano passado. Estamos passando por um processo horrível e precisamos pagar nossas contas. Nós, da área, vamos nos unir para lutar pela nossa causa e por aqueles que precisam.”
 
Além dos artistas e produtores, donos de bares também foram adicionados ao grupo. Elaine Fernandes é uma dessas proprietárias e relata o sofrimento de seus antigos funcionários, que dependiam do bar para sustentar suas famílias. “Tem famílias no meu bar que dependiam desse dinheiro para levar comida para dentro de casa. No entanto, estão todos desempregados. Queremos que tenham mais carinho com o nosso setor. Precisamos também trabalhar, não só supermercados e farmácias.”

A fim de protestar pelo retorno dos eventos, os membros do grupo marcaram uma concentração em frente à Prefeitura. A manifestação acontecerá na quinta-feira, 18, a partir das 15 horas. Os organizadores exigem que todos estejam de máscara. 

 

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