DESPREZADOS

Símbolos de prestígio no passado, lugares icônicos de Franca estão abandonados ou em completo desuso

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Dirceu Garcia/GCN
O Bagres Country Club é um dos espaços que acabou caindo em desuso com o passar do tempo
O Bagres Country Club é um dos espaços que acabou caindo em desuso com o passar do tempo
Seja por descuido, desleixo, falta de acessibilidade ou pelo simples fato de existir uma mudança de hábitos, o tempo passa e acaba levando consigo o encanto e o prestígio de muitos lugares. Espaços que eram famosos por diferentes motivos e, atualmente, pouco são falados ou visitados, acabam por se tornar verdadeiras materializações do esquecimento. Em Franca, são muitos exemplos.
 
A cidade tem vários pontos que perderam seus frequentadores com o passar dos anos. Nomes como Bagres Country Club, Internacional Camp Club, Jardim Zoobotânico, Parque dos Trabalhadores e Galpão da Francal soam familiares e trazem um sentimento nostálgico para muitos moradores de Franca. Todos os citados encontram-se hoje esquecidos. A reportagem do GCN visitou esses lugares durante esta semana. Veja como está cada um deles hoje.
 
 
Bagres Country Club



O Bagres Country Club, expansão do Clube dos Bagres construída na década de 70, já foi sinônimo de um verdadeiro programão para os francanos. Não à toa o local acumulou e recebeu uma quantidade enorme de associados com o passar dos anos. Lá, existia uma grande piscina, vestiários, saunas e um restaurante com palco, onde eram realizados shows e festas - especialmente, casamentos.

 
Conforme o tempo passou, a Associação Clube dos Bagres foi se endividando e perdeu muitos sócios. Como resultado disso, o Bagres Country Club foi desativado e o espaço vendido para uma empresa em 2011. 


 
Onde existiam diversas atrações, hoje só resta mato e uma sensação de vazio. Nem mesmo a piscina gigante e a lagoa que existiam no clube são visíveis hoje. De pé, restam somente a instalação onde funcionava a portaria, os vestiários e o restaurante que servia como sede dos eventos. 

 
Internacional Camp Club



Outro espaço que foi amplamente utilizado pela população de Franca e está em completo desuso é o terreno em que ficava o Internacional Camp Club, antiga sede campestre do conhecido clube Internacional, localizada ao lado do CDP (Centro de Detenção Provisória) da cidade. A área é pública e ficou sob concessão do Inter durante 20 anos.


 
Ali havia vários campos de futebol, piscinas de todos os tamanhos, duas quadras e muitas áreas de lazer, tudo utilizado pelos sócios do clube. Pouco restou. No local, resistiram ao tempo os galpões onde funcionavam os vestiários, algumas estruturas como a portaria e uma antiga cantina, grandes salões de festas e churrasco vazios, as quadras e as cinco piscinas – todas secas. Quem passa por lá hoje em dia encontra muito, muito mato.


 
No ano passado, quando o comodato do terreno venceu e a Prefeitura pediu reintegração de posse, o presidente do Internacional, Edmar Luís Gonçalves, disse que chegou a pedir para renovar a concessão do local, mas não foi atendido. Até hoje, nada foi oficialmente divulgado sobre o seu uso. O secretário de Ação Social do governo Gilson de Souza, Vanderlei Tristão, chegou a defender, em 2018, que a área recebesse os serviços do Abrigo Provisório, o que não aconteceu por resistência de setores ligados à proteção da população em situação de rua e do Ministério Público.

 
Galpão da Francal



O galpão que servia como sede da Francal (Feira Internacional de Moda em Calçados e Acessórios) é mais um dos lugares que acabou sendo esquecido com o passar do tempo. Após 1983, quando a feira ganhou destaque internacional e foi transferida para São Paulo, a estrutura, localizada no interior do Poliesportivo, perdeu sua maior utilidade.


 
Mesmo tendo sediado alguns outros eventos ao longo dos anos, como a Feira da Fraternidade, além de reuniões da Prefeitura, o galpão deixou de receber público com o passar dos anos. Hoje, a maioria das instalações que existem ao seu redor estão pichadas ou foram vandalizadas. Alguns espaços são utilizados pela Prefeitura como almoxarifado.
 
 
Jardim Zoobotânico



O Jardim Zoobotânico de Franca, inaugurado há quase 70 anos como Horto Florestal e tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), nunca foi um lugar muito procurado para passeios na cidade, mesmo apresentando uma biodiversidade rica e cenários agradáveis. 


 
Lá existe uma vasta variedade de plantas e animais, além de ser um espaço propício para pesquisa e lazer. Além disso, existem no parque um grande banco de sementes e um viveiro destinado à preservação de aves silvestres vítimas de maus tratos.


 
Ainda que com seus atrativos, pouco se fala do Jardim Zoobotânico. O lugar deixou até mesmo de receber visitas escolares, como era feito no passado - e isso nada tem a ver com a pandemia. Mesmo sem receber muitos visitantes, o parque está bem conservado. Só não é possível visitar, atualmente, por conta da fase Vermelha do Plano SP.
 
 
Parque do Trabalhador



O Parque do Trabalhador, localizado na Alameda Vicente Leporace e vizinho do terreno onde funcionam a Secretaria de Segurança e Cidadania e o Procon, foi inaugurado em 2007 depois de muita espera. Ele foi idealizado na gestão do ex-prefeito Gilmar Dominici e construído pela ONG Construtores Sociais, contando com investimento de mais de um milhão de reais à época, valor subsidiado pela Petrobras.


 
Com o objetivo inicial de oferecer um espaço de lazer para moradores da região do Parque dos Pinhais, a área acabou se transformando em dor de cabeça para o Poder Público. Ao longo dos anos, diversos atos de vandalismo foram registrados lá, o que gerou desconfiança e fez com que o espaço caísse em desuso.


 
Atualmente, pouquíssimas pessoas utilizam o Parque dos Trabalhadores, que apesar de esquecido, está bem conservado. No lugar, são utilizáveis dois campos de futebol, duas quadras de futsal, uma pista de bicicross, área de lazer com quiosques e bancos e uma extensa área verde.


 
Mesmo com seus atrativos, quando a reportagem do portal GCN esteve no parque não encontrou uma única pessoa. Por lá, apenas o lixo deixado pelos poucos usuários – que não se sabe quando utilizaram o espaço – e a sensação de que o local poderia ser - muito - melhor aproveitado.

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