Ao contrário das escolas estaduais e particulares, as municipais de Franca ainda não retomaram o ensino presencial. Com a estrutura comprometida e a falta de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual, como álcool gel e máscaras), a prefeitura considerou que as instalações não estão preparadas para receber as crianças da rede. Com isso, as aulas voltaram de forma remota e o retorno dos alunos às salas de aula segue sem uma data definida para acontecer.
A secretária de Educação, Márcia Gatti, que assumiu o comando da pasta com o início do governo Alexandre Ferreira, disse que uma vistoria nas instalações deixou claro que não havia condições de retorno, com problemas estruturais, especialmente, de ventilação nas salas de aula. “Escolas nossas que (ainda) não estão preparadas e estavam com muitos problemas. A gente tem o gráfico com porcentagem. Janelas tinham 56% de escolas com problemas. Como vamos colocar alunos e professores sem essas condições?”, questionou.
O antecessor de Márcia, Eduardo Guerra, secretário de Educação no final da gestão Gilson de Souza, contesta a afirmação. Segundo ele, todos os insumos e equipamento de proteção necessários foram licitados, bem como as manutenções estavam em andamento. “Deixamos todos os EPIs e insumos necessários para a volta às aulas licitados. Foi iniciado também um processo de revisão e manutenção em todas as janelas e vitrôs das unidades escolares. Até dezembro, os serviços já haviam sido concluídos na Região Sul”.
Márcia Gatti confirma que alguns insumos foram preparados, mas não no volume suficiente. “Existiu um levantamento do que precisava? Sim. Mas não houve execução de nada. Não foi executado nada do que era necessário. Janelas? Não. Temos fotos de janelas que abrem e que não abrem. Não estou falando que todas estão assim (quebradas). EPIs? Existiu licitação, existiu a compra, mas teve que ser complementada”.
O relatório de Márcia Gatti aponta necessidade de obras e ajustes em 40 escolas municipais. Até o momento, dez foram reparadas. Em uma delas,
a escola Maria Bruxellas Zinader, no jd. Luiza I, foram dez dias de muito trabalho para deixar tudo pronto. Nesta sexta-feira, 12, uma equipe de 10 pessoas trabalhava na Emeb Profª Vanda Thereza de Senne Badaró, no jardim Elimar II. A manutenção das janelas e grades era o principal foco no local. No início da tarde, apesar da conclusão de boa parte do serviço, alguns vitrôs ainda apresentavam dificuldades para abertura.
Márcia espera que esse processo de manutenção seja concluído o quanto antes. A secretária só evita marcar uma data. No máximo, arrisca prever o retorno para o fim de março. “Montamos uma resolução, que será publicada no Diário Oficial nesta semana. E dentro dessa resolução tem um plano de retomada. Entre reforma, sinalização e organização deste plano, acredito que (seja possível voltar) ainda em março. Estamos vivendo um dia de cada vez”.
Alguns outros processos devem acontecer logo. Uma nova pesquisa com pais é prevista. Além disso, cada escola deverá preparar um plano individual, organizando o rodízio entre as turmas. “Agora, a escola vai ter o universo dela. Vai ter que saber quantas salas têm, quantos alunos retornam presencialmente. Cada escola terá o seu plano”, finalizou.
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