Mesmo com o Governo do Estado mantendo Franca na fase Vermelha do Plano São Paulo, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) resolveu peitar as determinações do governador João Doria (PSDB) e liberar tudo em Franca, já a partir deste sábado, 6.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, será um “retorno gradual das atividades do comércio em geral”, a ser detalhado em decreto do prefeito que será publicado neste sábado. Mas bares já anunciam em seus perfis nas redes sociais que estarão abertos até as 22 horas de amanhã.
Os argumentos de Alexandre são a queda na taxa de transmissão do vírus, que ontem estava em 1,31, e a diminuição dos casos positivos.
Mas, apesar de a transmissão estar menor que há 15 dias, Franca ainda é a cidade do Estado com maior disseminação do coronavírus – posição que ocupa desde meados de janeiro. E, segundo especialistas, qualquer número acima de 1 mostra que a pandemia está em crescimento.
Já as confirmações, também apesar da queda hoje em comparação com o total descontrole da pandemia no mês de janeiro, são maiores que os números de agosto e setembro – os dois mais graves momentos, excluindo o mês passado.
Naqueles meses, a Franca registrou no máximo média de cerca de 120 e 110 novos casos por dia, respectivamente. Hoje, ela está em cerca de 130.
Outro ponto e o principal para que o Estado classifique Franca na fase vermelha é a alta taxa de ocupação de leitos de UTI Covid. Segundo divulgado hoje pelo governo, a taxa é de 84% na região de Franca, com internações em alta de 8,6%.
Na cidade de Franca, especificamente, a taxa de ocupação é de 82,5%. Mas o Boletim Epidemiológico da própria Prefeitura não considera os cinco novos leitos instalados nesta sexta-feira no AME (Ambulatório Médico de Especialidades), como anunciado pelo Estado e Grupo Santa Casa.
Se levados em conta, a taxa na cidade cai para 76,4%. Aí sim, um índice de fase laranja, mas local e não regional. Entretanto, esse não é um argumento apresentado na nota distribuída pela Prefeitura à imprensa.
De acordo com o Plano SP, em Franca e região, até pelo menos o domingo, 14, apenas comércio e serviços essenciais poderão funcionar na cidade. Lojas, shoppings, concessionárias de veículos, imobiliárias, escritórios, salões de beleza, barbearias, academias, bares e restaurantes devem permanecer sem atendimento presencial ao público.
Agora, com a decisão do prefeito, é preciso aguardar a publicação do decreto para saber o quais estabelecimentos poderão abrir, e como.
Vale ressaltar que, desde o início do Plano SP, em maio do ano passado, prefeitos que ignoram as regras estaduais estão sendo obrigados pela Justiça a recuar e seguir o que determina o programa de reabertura da economia paulista.
Pressão
Alexandre vinha sendo cobrado, principalmente por seus eleitos, para flexibilizar as regras da quarentena em Franca. E o constrangimento ganhou as ruas. Uma faixa foi fixada no viaduto da rua General Carneiro, com os dizeres: “Alexandre Pinóquio, pagamos seu salário para você fazer mais leitos, quantos forem necessários, não para afinar pro Doria nem nos proibir de trabalhar”.
Durante a campanha eleitoral, o hoje prefeito disse que 'iria peitar' Doria. Agora, no início desta semana, se reuniu com lideranças do comércio e representantes de bares, restaurantes e academias para discutirem asregras e protocolos da flexibilização que será oficializada amanhã.
Ações contra o coronavírus
Alexandre enumera suas ações à frente da Prefeitura no combate ao coronavírus neste início de mandato. Cita que “dobrou o número de leitos de UTI, passando de 60 para 113 leitos, contado com os oito instalados no pronto-socorro” – esses não são considerados nem pela própria Vigilância Municipal, no Boletim Epidemiológico diário. Segundo uma fonte ligada ao governo, esses leitos são de estabilização por até 72 horas e que existem desde o ano passado.
A Prefeitura ainda destaca “as mudanças realizadas no atendimento do pronto-socorro, inclusive a compra de oxigênio, a realização de mais testes, reforço na fiscalização e a criação da Central de Monitoramento de pacientes em recuperação domiciliar”.
"Quero deixar bem claro que construímos isso junto com os setores produtivos. Se os índices piorarem, teremos que restringir. Estiveram comigo reunidos, antes dessa tomada de decisão, setores representativos de nossa economia, do comércio e serviços. Ouvimos todos, eles assumiram esse compromisso. É indispensável que cada pessoa também faça a sua parte”, disse Alexandre Ferreira, via assessoria de imprensa.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.