MAIS UMA VEZ

Cinco anos depois, Francana pode abrir mão de disputar o Campeonato Paulista

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Lucas Faleiros/GCN
Portões do Lanchão podem permanecer assim em 2021: fechados
Portões do Lanchão podem permanecer assim em 2021: fechados

A paixão dos torcedores pela Francana vai muito além de algo momentâneo. Fundada em 1912 por David Carneiro Ewbank, Homero Pacheco Alves e Beneglides Saraiva, a Veterana acumulou diversos fãs durante seus mais de 100 anos de existência. Esses admiradores, por sua vez, retransmitiram o amor pelo clube de geração para geração. Prova disso é que mesmo estando longe da elite do Campeonato Paulista desde 1982, quando foi rebaixado como lanterna do torneio, o time continuava recebendo milhares de pessoas em seus jogos no Lanchão antes da pandemia.

O carinho da torcida, porém, não é o suficiente para fazer com que a Feiticeira consiga retornar aos seus áureos tempos. Pelo contrário. Fruto de algumas administrações ruins, rebaixamentos e perda de prestígio nas últimas décadas, a situação do principal e mais tradicional clube de futebol da cidade de Franca só parece ficar mais difícil. Cinco anos depois de pedir um licenciamento e ficar fora da disputa de todas as competições do calendário, a Francana pode voltar a ficar de fora do Campeonato Paulista.

Segundo o presidente Anderson Pereira Silva, os administradores da agremiação tem sofrido com prejuízos financeiros pessoais por conta do time e esse ano pode haver um ‘basta’. “Ainda não sabemos quando será o Paulista. Se fosse começar hoje, eu cravaria: não disputaremos. Nós não temos o apoio necessário ainda. Os patrocínios estão escassos. Ano retrasado ficamos em déficit. Ano passado ficamos em déficit. Em toda a minha gestão, teve déficit. Todos os anos, eu e os diretores precisamos colocar dinheiro no clube para honrar os compromissos. Não é justo que isso aconteça”.

Ele afirma que o projeto para participar da segunda divisão do Paulista será apresentado, mas, caso o investimento necessário não seja oferecido por parceiros, a Francana vai ficar de fora, como fez em 2016. Jogar o campeonato significa um gasto de mais ou menos R$120 mil por mês, segundo Anderson. “Esse ano vai ser diferente. Nós não vamos mais colocar dinheiro do nosso bolso. Ou os recursos são captados antes das competições ou a gente não participa. Nas últimas temporadas, arrecadamos parte da verba antes e fomos na esperança de que até o fim dos campeonatos o valor chegaria ao total necessário, mas isso nunca acontecia”.

Uma alternativa levantada pelo presidente para contornar as dificuldades financeiras é, além do apoio de empresas da cidade, contar com a ajuda da torcida. “A Francana não é minha, nem dos diretores. É da torcida. Nós precisamos saber o que os torcedores e também as empresas daqui pensam sobre ela. As pessoas que querem um time bem estruturado têm que pagar por isso. Têm que ter sócios-torcedores e gente engajada, que queira ajudar e financiar o clube da cidade”.

DESGASTE
Anderson diz que sua administração tem tentado “arrumar a casa” da Francana. “Fizemos bons campeonatos e a gente vem organizando as coisas. Reestruturamos o departamento de marketing e a parte administrativa, construímos uma loja para o clube, trouxemos mais de 120 novos apoiadores e outras coisas mais. É um trabalho intenso, de muita energia e que desgasta demais”.

Devido ao desgaste citado, o cartola, que tem mandato até 2022, chegou a cogitar deixar o cargo de presidente do time. Porém, de acordo com ele, não há ninguém que demonstre vontade de substituí-lo neste momento. “Um acumulado de coisas me deixou sem muita motivação para seguir na presidência. O principal ponto é esse de ficar usando o próprio dinheiro. Só que, infelizmente, não tem ninguém para assumir no meu lugar. Nenhum dos diretores está disposto a fazer isso. Se aparecer alguém da cidade que queira tornar-se presidente, nós vamos fazer uma força gigantesca para ajudar essa pessoa a tocar”.

Anderson assumiu o clube com uma dívida de R$11 milhões e conseguiu reduzir a conta. Atualmente, se considerados impostos e ações cíveis e trabalhistas, a Francana deve um total de cerca de R$9 milhões. Desse valor, aproximadamente R$180 mil são referentes à disputa do último Campeonato Paulista e precisam ser pagos a curto prazo. O time tentará fazer isso com a ajuda de patrocinadores.

Apesar de tudo, o presidente diz que se as dificuldades forem superadas, a Francana vai entrar na segundona do Paulista com as melhores pretensões. “Todas as vezes que montamos um time de futebol, o objetivo é subir. A gente não monta time mais ou menos, meia boca. Não demos sorte, mas tivemos bons elencos nas últimas três temporadas. Fizemos três boas campanhas. Na última, ficamos invictos até a penúltima rodada”.

Caso a Veterana não dispute a competição estadual, as portas do Lanchão poderão ficar fechadas durante todo o ano de 2021, já que outro campeonato que muitas vezes movimentou o futebol na cidade, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, não foi realizada pela Federação Paulista de Futebol neste ano. Pelo menos a princípio, a entidade afirma que não existem condições sanitárias adequadas para promover o torneio, que era acontecia anualmente desde 1969.

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