REPERCUSSÃO

Morte de Alan Diego causa comoção nas redes sociais

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Instagram
A morte de Alan Diego, de 23 anos, por policiais militares na noite da última terça-feira, 2, gerou grande repercussão nas redes sociais. Internautas se manifestaram contrários à atitude policial, com a frase “8 tiros nas costas não é legitima defesa”. O jovem foi baleado em uma abordagem na Vila São Sebastião, na região Oeste de Franca.

“Oito tiros certeiros nas costas em 18 disparos não é legítima defesa”. As palavras de Ana Clara de Oliveira, de 18 anos, refletem o pensamento de parte da população. Para ela, a ação é inexplicável, independente do histórico de Alan. “Isso é crime e precisa ser investigado independente do histórico da vítima. Não podemos mais aceitar condutas desse tipo.”

Ana Clara levanta que qualquer um poderia estar no lugar de Alan. Agora, o tratamento poderia mudar de acordo com a cor da pele da pessoa. “Vidas de pessoas negras não são descartáveis! Qualquer um poderia estar na posição de Alan e, dependendo da cor, provavelmente não seria suspeito.”

Assim como Ana Clara, Kaiene Sousa Rodrigues, de 18 anos, concorda que não existe explicação para a conduta dos policiais envolvidos. Também questiona a tática escolhida, uma vez que eles recebem treinamento para essas situações. “Servidores públicos treinados anos para desarmarem e imobilizarem usam como tática de legítima defesa ‘apenas’ 18 tiros de advertência.”

A jovem afirma que o racismo deve ser combatido de qualquer forma e o caso deve ser investigado. “Atos como esse de racismo velado devem ser repudiados a qualquer custo! Logo, as ações contra o jovem devem ser investigadas.”

Devido ao incêndio em um dos ônibus do transporte público, na última quarta-feira, 3, a moradora da região Oeste de Franca precisou pedir uma corrida por aplicativo para voltar do trabalho. “Tive que vir de Uber, porque queimaram o meu ônibus”, afirmou Kaiene.

Para Mateus de Oliveira, de 21 anos, parte da população julga o rapaz sem conhecê-lo e sai "despejando informações" que, na maioria das vezes, não condizem com a realidade. “Muitas vezes já condenam a vítima sem saber a história dela e sem saber o que estava acontecendo ali no momento.”

Sobre se posicionar nas redes sociais, Mateus diz que é necessário. "Precisamos questionar. E quando acontece dentro da nossa cidade, não podemos nos calar. Precisamos expor e colocar o caso no holofote para que ele seja investigado e tenha uma conclusão.”

Uma das publicações foi feita por Luís Felipe Banhareli, de 18 anos, que disse ter dúvidas sobre o que realmente aconteceu. O rapaz teve uma crise de ansiedade após descobrir o caso, principalmente, pela quantidade de tiros anunciada.

“Ontem, eu tive uma crise de ansiedade o dia todo, por saber que era um jovem preto e periférico, que foi morto por policiais. Principalmente, pela quantidade de tiros divulgada. Acho importante ter um laudo, ir atrás desses documentos, para ver o que os médicos dizem sobre o que aconteceu realmente”, disse.

Luís destacou o abuso de poder, que é realizado em algumas ocasiões pelos policiais. “O policial sempre quer humilhar o outro, ao invés de dar uma lição. Ele quer falar para a pessoa e fazer ela se sentir um lixo, além de usar a cor da pessoa para julgar.”

Élcio Marcos Dias, de 18 anos, diz que a conduta policial mostra despreparo. E questiona que, se houve intenção de matar, os servidores não deveriam ocupar os cargos concedidos a eles. “Realmente é lamentável e revoltante o ambiente em que vivemos, do qual temos mais medo daqueles que deveriam trazer mais segurança”, finalizou.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários