ACORDO

Brumadinho: Vale fecha reparação de R$ 37,6 bi

Por | do Estadão Conteúdo
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Corpo de Bombeiros de Minas Gerais
Rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Dois anos depois do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, a mineradora Vale fechou acordo na Justiça de Minas para indenização ao poder público pelos danos causados na tragédia, que matou 272 pessoas. A empresa se comprometeu a pagar R$ 37,68 bilhões.

O rompimento da barragem ocorreu em 25 de janeiro de 2019. Desde outubro de 2020, uma série de reuniões foi realizada entre as partes, buscando evitar que o processo se encaminhasse para sentença - sem sucesso. No dia 21, o governo de Minas deu as negociações por encerradas, mas informou que aceitaria uma proposta da empresa até 29 de janeiro. Na mesma data, porém, a Justiça deu mais 15 dias para um acordo. No dia 3, o governo anunciou a audiência desta quinta-feira.

O procurador-geral da República, Augusto Aras; o governador de Minas, Romeu Zema (Novo); e o diretor jurídico da Vale, Alexandre Silva D’Ambrosio, assinaram o acordo. Segundo Aras, foi "uma solução para um grande problema".

Conforme Zema, "não é possível mudar o passado, mas podemos melhorar o futuro". "O acordo é inédito porque foi construído, não foi uma decisão jurídica. Todos foram ouvidos", afirmou. "Estamos usando essa reparação para o povo mineiro, e não para o caixa do Estado." O valor equivale a mais de duas vezes o rombo nas contas públicas de Minas Gerais em 2021, de R$ 16,2 bilhões

Mas era o valor final o entrave para o acerto. A ação do Estado, da qual participam ainda o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública, pedia R$ 54 bilhões de indenização. A Vale queria pagar R$ 21 bilhões.

O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Joceli Andrioli, é contrário ao fechamento do acordo e defende o pedido inicialmente, de R$ 54 bilhões. Os atingidos, que fizeram manifestação na porta do Tribunal de Justiça, não foram incluídos nas negociações. "Sem a nossa presença o Estado perdeu força nas conversas com a Vale. A empresa só funciona com pressão popular", declarou. A advogada Ísis Táboas, da coordenação geral da Aedas Paraopeba, que presta serviço de assessoria para atingidos pelo rompimento, tem o mesmo posicionamento. "Esse acordo desrespeitou os princípios constitucionais de publicidade e transparência e o princípio consagrado internacionalmente da centralidade do sofrimento das vítimas. As vítimas não foram ouvidas e estão aqui, do lado de fora do tribunal, denunciando a sua não participação."

O governo de Minas afirma que dos R$ 37,68 bilhões vai gastar R$ 9,17 bilhões em programas de transferência de renda, R$ 4,7 bilhões em reformas em escolas e postos de saúde ao longo do Paraopeba, rio atingido pela lama que desceu da barragem ao se romper, R$ 6,55 bilhões para saneamento básico nos municípios atingidos, R$ 2,055 bilhões para captação de água para a Grande Belo Horizonte, R$ 4,95 bilhões em estradas e ampliação do metrô da capital, e R$ 4,37 bilhões para melhoria de hospitais, além de R$ 5,89 bilhões em medidas emergenciais.

Compromisso

Em comunicado, a mineradora disse que a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho é um compromisso da empresa. "A Vale está determinada a reparar integralmente e compensar os danos causados pela tragédia de Brumadinho e a contribuir, cada vez mais, para melhoria e desenvolvimento das comunidades em que atuamos", afirmou o diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo.

"Pela governança estabelecida no acordo, a quitação das obrigações previstas se dará de duas formas: mediante o pagamento dos compromissos, com valores e cronograma definidos para projetos geridos pelo Estado de Minas Gerais e instituições de Justiça; e mediante a conclusão, pela Vale, de projetos predefinidos no acordo, que incluem principalmente os projetos de reparação socioambiental", afirmou Luiz Eduardo Osorio, diretor executivo de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Comunicação da Vale.

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