CASO ALAN DIEGO

Testemunhas afirmam que rapaz foi morto com tiros nas costas

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Padaria na Vila Sebastião, onde o rapaz estava usando o wi-fi.
Padaria na Vila Sebastião, onde o rapaz estava usando o wi-fi.
A reportagem do GCN esteve na Vila São Sebastião na manhã desta quarta-feira, 3, próximo ao local em que o rapaz de 23 anos foi morto a tiros pela Polícia Militar na noite de terça-feira, 2. Os detalhes do que aconteceu ainda estão sendo apurados, mas testemunhas que presenciaram a cena afirmam que Alan Diego foi morto com tiros nas costas.

Kaique Henrique da Silva, de 20 anos, estava no local e viu toda a ação. “O Alan estava sentado aqui (na porta da padaria) e nós ali. Aí a viatura chegou e abordou ele, ele saiu correndo. Quando foi em direção à rodovia, começaram a dar tiros nele”, disse Kaique. Segundo o jovem, o primeiro disparo só atingiu Alan quando ele estava próximo à rodovia Cândido Portinari.

“Nisso ele caiu no chão e os policiais foram até ele e pediram para levantar a camisa. O Alan disse: ‘Perdi, senhor, perdi. Aí os policiais mandaram ele virar de costas e dispararam um tanto de tiro”, completou Kaique, que estava próximo ao pontilhão. “Ele não estava armado. Os ‘cara’ nem esperou ele virar e já dispararam.”

Iranoberte Ribeiro Teles, também de 20 anos, mora ao lado de onde tudo aconteceu e afirmou que as bombas lançadas pela polícia foram parar dentro da sua casa. “A polícia deu tiros no menino e a população se aglomerou, mas não tinha motivos deles jogarem bomba, porque o pessoal só queria que a mãe fosse lá ver o menino”, disse.

O gás usado para afastar as pessoas do local chegou até a residência do rapaz, que tem mãe cadeirante e irmãs com problemas respiratórios. “Olha a humilhação que nós passamos. O moleque também é amigo nosso. Ele estava sentado e a polícia chegou dando tiro, pediu para virar de costa e deu tiro. Não precisava ter feito isso.”

A irmã de Alan, Amanda Ferreira, relembrou detalhes da tarde de ontem. “Assim que chegou do trabalho, ele veio na casa da minha mãe e perguntou se ela podia fazer janta e que ia sair para comprar um gás de cozinha para a casa dele, mas que já retornaria. Nisso, ele passou na padaria que tem ali perto do pontilhão. Lá ficam várias pessoas usando o wi-fi e ele também parou para pegar”, disse.

Amanda disse que assim que os policiais chegaram, eles gritaram ‘perdeu, perdeu’, para o seu irmão. “Ele ficou desesperado e saiu correndo em direção ao pontilhão. Nisso, os policiais dispararam três vezes e ele desceu a grama para atravessar a avenida (rodovia). Quando ele já estava atingido, ele disse: ‘Senhor, eu entendi, eu me rendo'.”

De acordo com a versão da irmã, ele levantou as mãos para cima e era visível que não possuía nenhuma arma. “Falaram que já que ele se rendeu, era para virar de costas. No que ele virou, deram oito tiros nas costas dele. A polícia está alegando que ele estava com arma de fogo, mas ele não estava. Ele estava trabalhando.” 
 
Amanda pediu justiça e afirmou que toda família quer entender tudo o que aconteceu. “Ele já fez coisas erradas na vida, sim, mas ele consertou a vida. Estava trabalhando registrado em uma empresa, tem duas crianças para cuidar”, disse. “Eles acabaram com um sonho, não só do menino, mas de toda uma família. É mais um negro que eles matam e fica tudo certo.”

O caso está sendo investigado pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca.

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