Poucas horas após informar que Alan Diego Ferreira Marciano, morto durante uma abordagem policial na Vila São Sebastião na noite dessa terça-feira, 2, estava armado mas não disparou contra os militares enquanto fugia, a Polícia Militar mudou sua versão. Agora, é dito que não se sabe se o rapaz de 23 anos atirou ou não.
O Tenente Dorigan, que atua como supervisor no comando de Força Patrulha, chegou no local minutos depois da ocorrência. A princípio, afirmou que Alan fugiu após os policiais o abordarem por uma “atitude suspeita”, em frente a uma padaria que fica próxima à ponte que dá acesso à Vila São Sebastião.
De acordo ele, o rapaz teria descido pelo barranco para a rodovia Cândido Portinari e, enquanto corria, sacado uma arma e apontado para os policiais, sem disparar. Também disse que o revólver usado por Alan havia passado por perícia e nenhuma bala teria sido deflagrada.
Mas, cerca de duas horas depois, a reportagem do GCN foi acionada pela Polícia Militar, que deu nova versão. Segundo o tenente, depois de uma primeira perícia no armamento, foi constatado que três balas estavam deflagradas. O novo relato é o que consta no Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil.
Ainda de acordo com Dorigan, os policiais que participaram diretamente da ação não têm certeza se foram ou não alvo de tiros vindos da direção de Alan. “Da certeza, nós vamos para a dúvida. Dado o calor e a adrenalina da ocorrência, eles não sabem dizer com precisão se algum disparo foi feito na direção deles.”
Várias dúvidas a respeito da morte de Alan Diego ainda pairam no ar. Não se sabe, por exemplo, quando as três balas que estavam deflagradas, segundo a perícia apontou no Boletim de Ocorrência, foram utilizadas. Também há incertezas com relação ao corpo do jovem. Apesar de testemunhas dizerem que o rapaz foi alvejado oito vezes pelas costas, nenhum laudo pericial ou detalhe foi tornado público.
Na tentativa de descobrir elementos sobre o assassinato, a reportagem do GCN procurou vários serviços que poderiam revelar aspectos sobre o corpo da vítima, como o número e os locais onde ocorreram as perfurações, e o armamento utilizado.
O Instituto de Criminalística afirmou que não é autorizado a revelar o laudo da arma enquanto o processo estiver aberto. O IML adotou postura parecida quanto ao resultado da necropsia. A equipe do Samu que tentou resgatar Alan também foi procurada, mas, como já havia acontecido a troca de plantão, os médicos não foram encontrados.
Após a elaboração do Boletim de Ocorrência, o caso foi encaminhado para a DIG, que fará a investigação. Os documentos foram entregues à delegacia ao meio do dia de hoje.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que os policiais envolvidos vão “exercer funções administrativas até a conclusão do inquérito” aberto. Dois deles tiveram suas armas apreendidas, segundo o BO.
No local onde a ação aconteceu, foi pedido que a perícia realizasse um exame residuográfico e o laudo necroscópico de Alan Diego. Nenhum deles foi divulgado.
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