Desde que a quarentena começou em Franca, janeiro foi o mês com mais confirmações de casos, gerando um verdadeiro colapso na saúde e atingindo famílias que antes não tiveram contato com o vírus. Uma dessas famílias é a de Bruna Diniz. Ela testou positivo no dia de 15 de janeiro e, poucos dias depois, se via com os pais internados em cidades da região. Além disso, seu filho, irmãos e também cunhada foram atingidos pelo coronavírus.
Tanto seu pai, José Nilton Diniz, quanto sua mãe, Leda Maria Diniz, precisaram ser transferidos para hospitais da região, em Igarapava e Ipuã, respectivamente. Ambos têm 55 anos e são ex-fumantes, ficando com os pulmões comprometidos.
O primeiro a sofrer com o vírus foi José. De acordo com Bruna, seu pai começou a se sentir mal dias depois que ela testou positivo. “No sábado, dia 16, meus pais começaram a ficar ruinzinhos. Aí eu falei para ir atrás e eles pagaram um exame. Minha mãe deu negativo e meu pai positivo.”
Ainda no sábado, José passou pelo Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz” e foi medicado, retornando para casa. Foi domingo, dia 17, que ele começou a se sentir mal e a família optou por retornar ao PS. “Ele começou a se sentir muito mal. Aí a gente voltou com ele no pronto-socorro e ele ficou num Hospital de Campanha, com oxigênio. Não que estava com falta de ar, mas o cansaço é muito grande. É muito cansaço.”
No dia seguinte, na segunda-feira, 18, por conta da lotação dos leitos de UTI SUS em Franca, José foi transferido para Igarapava. Há 12 dias lá, sem poder ver seus três filhos, ele vai se recuperando. “Está lá até hoje, fazendo fisioterapia, nada alterado, mas numa situação grave. Pulmão ainda está comprometido.”
Apesar de todo processo com seu pai, Bruna foi enxergar o colapso na saúde quando sua mãe precisou de atendimento. No dia seguinte que José foi transferido, na terça-feira, dia 19, a mãe de Bruna, Leda, começou a se sentir mal.
Mesmo testando negativo na semana anterior, a família optou por levá-la ao PS, onde ela foi medicada. Apesar dos remédios, ela teve que voltar, pois continuava mal. “Ela não aguentou, porque é muito cansativo e a gente voltou para o pronto-socorro. O atendimento em todo momento era rápido. Ela fez os exames lá na hora, deu negativo para covid e, mesmo assim, ela estava cansada.”
Por conta desse cansaço, a família optou por deixá-la no "Álvaro Azzuz". Passando dias lá, Leda teve uma série de dificuldades e, por isso, Bruna pôde acompanhar sua mãe. “Tinha muita gente. Eu coloquei minha vida em risco, mas foi pela minha mãe. Até o momento que o médico deixou, eu cuidei dela.”
O contato com a área interna permitiu que Bruna notasse as dificuldades. O primeiro foi a falta de lençóis. “Aí começaram a pedir um lençol, porque ela fazia as necessidades. Ela aceitou usar fralda, aí comecei a correr atrás. Fui na Secretaria de Saúde e é uma burocracia. Tem que passar por não sei quem, assinar autorização. Aí eu arrumei o dinheiro e comprei as fraldas. Larguei de mão da Secretaria. Uma má vontade que ninguém merece.”
Problema resolvido para sua mãe, mas não para os demais pacientes. Por conta do comentário de uma enfermeira com Leda, Bruna ficou sabendo que a falta do pano atingia a todos. Foi quando ela resolveu criar o "Lençol do Bem.
“Levei lençol, minha mãe pediu para fazer a campanha 'Lençol do Bem'. Eu mesma assinei um termo de responsabilidade para ajudar eles no que foi preciso, mas não pode. Eles iam amar pessoas lá para ajudar. Estão se desdobrando, numa correria.”
Com toda essa correria, os dias se passaram, até que, durante a madrugada desta sexta-feira, 29, um leito ficou disponível em Ipuã e Leda foi transferida. Nessa sexta-feira, 29, o resultado de um novo exame confirmou a infecção por coronavírus.
Distantes dos seus pais, Bruna só consegue ter contato através do celular. Com videochamadas, ela se comunica com os médicos e se tranquiliza quanto ao estado de José e Leda. “A situação é bem complicada, mas eu percebi a vontade dos médicos de fazer videochamada. Às 16h, eu falo com o médico do meu pai, e às 21h, com o médico da minha mãe.”
Antes sem acreditar tanto na doença, Bruna conta que a situação fez com que ela pudesse perceber o grande perigo que o vírus oferece. “A covid ataca emocionalmente. As pessoas ficam com muito medo. Outros não têm família, ficam sem aparo. É muito difícil. Mas, nessa parte, estamos fazendo de tudo pelos nossos pais.”
Em depoimento, ela finaliza pedindo orações, não só para seus pais. “Queria que fizessem orações, não só para os meus pais, mas para todos que estão nessa luta, principalmente, os médicos”, finalizou.
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