DRAMA

Falta de leitos de UTI transforma espera em tortura para família: 'É muito triste'; ASSISTA

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Pessoal
Milton Nepomuceno, sua neta Ana Beatriz e sua esposa Antônia Aparecida da Silva
Milton Nepomuceno, sua neta Ana Beatriz e sua esposa Antônia Aparecida da Silva

O drama causado pela falta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para o tratamento da covid-19 assola mais uma família de Franca. O lenhador Milton Nepomuceno, de 66 anos, e seus familiares vivem dias de angústia desde que ele foi internado na última segunda-feira, 25. Milton precisa ser transferido para um leito de tratamento intensivo e não há vagas na rede pública. Por isso, permanece aguardando disponibilidade nas cidades da região.

Após alguns dias de sintomas, como dores no corpo, tosse e falta de ar, Milton realizou um teste rápido na sexta-feira, 22, para saber se estava com a doença. O resultado deu negativo. Sem apresentar melhoras, a família procurou um atendimento médico particular para sanar quaisquer dúvidas. Foi então que confirmou a contaminação pelo coronavírus e precisou ser internado.

Rapidamente atendido no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, ele apresentava baixo índice de saturação e precisou ser tratado com máscara de oxigênio para estabilizar o quadro e não forçar seu pulmão. Agora, o lenhador – por orientação médica – precisa ser transferido para um leito de UTI Covid para que seu tratamento seja concluído de maneira correta e segura.

A filha Naiara Nepomuceno, 21, e a esposa Antônia Aparecida da Silva, 54, também contraíram o vírus, mas estão em casa sem sintomas.

Naiara falou sobre a dor que vem passando nos últimos quatro dias. “Estamos sofrendo muito. Tivemos que tirar as crianças de casa para ficarmos isoladas. Dói muito. Tenho certeza que meu pai sente muita falta dos netos.”

Já o filho Paulo Ricardo Nepomuceno, 31, que é lenhador como o pai, não está contaminado. Ele mora com a mulher e filhos no mesmo terreno que o pai. Para ele, além do sofrimento, a sensação é de impotência. “É um caso muito difícil, não tem leito para ninguém. Meu pai precisa ser transferido e simplesmente não há vagas. Não sabemos o que fazer.”

Paulo critica aqueles que não acreditam na doença e afirma que só quem não passou por uma situação dessa duvidaria. “Essas pessoas que duvidam e ficam falando besteiras, é difícil. Só depois que a gente tem [casos de covid-19] na família que entendemos. É triste ver seu pai internado e sem oxigênio.”

Por fim, o rapaz alerta aqueles que pedem a abertura dos comércios e os convida a ver como é estar dentro do pronto-socorro. “Não é brincadeira. O povo fala para abrir tudo, mas se abrir não para esse vírus. Quem fala isso deveria ir lá no ‘Janjão’ ver a situação. É muito triste.”

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde de Franca confirmou a falta de leitos de UTI Covid e afirmou estar sendo feita a procura por leitos vagos na região.

“A Secretaria de Saúde informa que o paciente foi inserido na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), no dia 25, solicitando vaga em UTI. Diante da inexistência de vagas de UTI Covid na primeira referência (Santa Casa de Franca), a regulação de São Paulo está buscando leito de UTI na região.”

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