CUMPRIMENTO

Em carta enviada para Biden, Bolsonaro fala em 'parceria' e cita acordo de Paris

Por | do Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min
Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro cumprimentou ontem Joe Biden pela posse como 46º presidente dos Estados Unidos e disse ter expressado, por meio de uma carta enviada a ele, a "visão de um excelente futuro para a parceria Brasil-EUA". Segundo Bolsonaro, a relação entre os dois países é "longa e sólida" e se baseia em "valores elevados, como a defesa da democracia e das liberdades individuais". Ele dedicou trecho da carta para abordar a questão das mudanças climáticas e o Acordo de Paris.

A pronta manifestação do presidente brasileiro representa uma revisão da forma como ele vinha se comportando no processo eleitoral americano.

Bolsonaro foi um dos últimos chefes de Estado a reconhecerem a vitória de Biden, ao lado do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. Com base na apuração dos Estados, a imprensa dos Estados Unidos projetou, em 7 de novembro, a vitória de Biden. Só no dia 15 de dezembro, o Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota reconhecendo o resultado.

Durante o período eleitoral americano, Bolsonaro disse que apoiava a reeleição de Donald Trump. Chegou a afirmar que viajaria a Washington para a cerimônia de posse.

"Sigo empenhado e pronto para trabalhar pela prosperidade de nossas nações e o bem-estar de nossos cidadãos", escreveu Bolsonaro em sua conta oficial do Twitter. Na carta divulgada ontem, o presidente brasileiro diz ser "grande admirador dos Estados Unidos" e que, desde de que assumiu o poder no Brasil, passou a "corrigir" o que chamou de "equívocos de governos" anteriores que "afastaram o Brasil dos EUA".

Mudanças climáticas

Na sequência do documento, cita relações bilaterais entre os dois países no campo econômico, tecnológico e do desenvolvimento sustentável. Bolsonaro dedica um trecho da carta para falar sobre mudanças climáticas, proteção ambiental e Amazônia.

"Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia, com base em nosso Diálogo Ambiental, recém-inaugurado. Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas novas metas nacionais", diz Bolsonaro na carta.

O tratado assinado por 195 países estabelece esforços conjuntos para tentar conter o aumento da temperatura do planeta a menos de 2°C até o fim do século. Horas após tomar posse e cumprindo uma promessa de campanha, o novo presidente americano assinou 17 ordens executivas, incluindo o retorno dos EUA ao Acordo de Paris. Em 2019, no primeiro ano do seu mandato, Bolsonaro disse que, "por ora", o Brasil continuaria no acordo.

Em um dos debates com Trump durante a disputa presidencial, o então candidato Joe Biden fez críticas ao desmatamento na Amazônia. Ele disse que "começaria imediatamente a organizar o hemisfério e o mundo para prover US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia". A declaração gerou uma resposta de Bolsonaro, que, na ocasião, classificou o comentário como "lamentável", "desastroso e gratuito" e fez uma série de postagens críticas a Biden no Twitter.

O vice-presidente Hamilton Mourão também comentou a posse de Biden. Ele afirmou que a relação com os EUA continuará "de Estado para Estado", e que o país americano segue como o "farol" de modelo democrático no ocidente.

"A relação Brasil e Estados Unidos é uma relação que vem desde o período da nossa independência, é uma relação de Estado para Estado e dessa maneira ela vai continuar. É um parceiro comercial importante, um parceiro tecnológico importante, e sempre colocando que o modelo democrático americano é um farol para o mundo ocidental."

Congresso. Em nome do Congresso brasileiro, os atuais presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cumprimentaram Biden e a vice Kamala Harris pela posse.

Para Rodrigo Maia, a mudança na presidência americana foi vista como uma oportunidade de união com o Brasil para o "fortalecimento da democracia, do combate ao radicalismo e da proteção do meio ambiente". Como presidente do Congresso, Alcolumbre desejou êxito a Biden e Kamala Harris. "Que os nossos países possam manter abertos os canais do diálogo e do entendimento", escreveu Alcolumbre no Twitter.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários