Até muito recentemente Nova Odessa para mim era apenas placa de indicação de cidade perto de Americana, no caminho para Campinas que vai dar em São Paulo, na rodovia Anhanguera. Hoje é referência. Em Nova Odessa existe pequeno e lindo jardim botânico, que quase nada fica a dever a similares que podem ser visitados, principalmente na Inglaterra onde, acredito, a ideia de juntar num só lugar plantas, flores, água – bases de qualquer jardim - tenha nascido. Não é o Kew Garden, por exemplo, mas é a realização do sonho que Harri Lorenzi, o idealizador do espaço brasileiro, possivelmente um dia sonhou. Sonhos são assim, não têm previsibilidade ou certeza de acontecerem; são maiores que nossas possibilidades e são ambiciosos, do contrário seriam apenas desejo. O pequeno paraíso das plantas, está localizado em Nova
Odessa, com fácil acesso para quem estiver em trânsito pela rodovia. Vindo para o norte, ou descendo em direção ao sul. Mas na Anhanguera.
“O Jardim Botânico Plantarum tornou-se centro de referência em pesquisa e conservação da flora brasileira. Existe desde 1990, por iniciativa do engenheiro agrônomo e botânico brasileiro Harri Lorenzi. Para contribuir para a conservação da flora brasileira, ele percorreu, por mais de 40 anos, a maior parte dos ecossitemas do Brasil, em expedições científicas patrocinadas por sua empresa o Instituto Plantarum de Estados da Flora Ltda e parceiros - destinadas ao levantamento, catalogação e coleta de plantas nativas, principalmente com potencial econômico e ameaçadas de extinção. Resultado de seu trabalho, publicou a quase totalidade dos livros sobre identificação de plantas em estilo popular no Brasil nos últimos 40 anos.” O site www.plantarum.com fornece informações pertinentes e satisfaz curiosidades daqueles que se interessarem.
Em alguns momentos o Plantarum lembra o Jardin Giverny, na França celebrizado por Monet. Em outros, algum recanto da selva amazônica. De repente a estátua da pequena dançarina suspensa sobre a folha da vitória-régia nos paraliza e mexe com nossa imaginação e teorias sobre leveza e composição artística. As imensas palmeiras balançam ao ritmo do vento e as pequenas flores se deitam, pela ação do vento, aos nossos pés. Lugar incrível, que provoca sensações que vão da expectativa à saudade da infância, provocada pelo canteiro das coloridas zínias – ou viúva-regateiras – comuns pelos lados do campinho de futebol da minha casa de infância, que terminava no córrego, bem ao final da rua sem asfalto, cenário do meu passado.
De repente o visitante encontra reproduções em ferro e tamanho natural de figuras de mitos brasileiros como saci-pererê, boitatá, curupira. E, ainda, personagens sem identificação como a do solitário índio na canoa, a bailarina na ponta da sapatilha suspensa sobre a folha de vitória-régia no meio do lago. Há restaurantes e facilidades no local. O acesso, encantador, é feito por alameda totalmente arborizada por Henri Lorenzi, que colocou placas de identificação que fornece nome científico e popular de cada árvore. Há, ainda, imenso e belo centro de eventos no local. Cartazes avisam que, como não há recipientes apropriados para depositar lixo, o visitante é responsável pelo lixo que produz e que deve levá-lo embora consigo, ao fim da visita. Espera-se, portanto, que o visitante seja suficientemente educado e polido. É através de iniciativas como a de Henri Lorenzi e seu Plantarum, que algum dia nos tornaremos país educado, que cuida e preserva suas belezas naturais.
(A foto é de Adriana Straioto de Souza que também esteve lá.)
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