Hoje

Por Angela Gasparetto | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 1 min

Hoje, o antigo frasco se quebrou, e espalhou pelo quarto todo o perfume de uma vida. De posse daquele aroma, ela desencadeou o riso, e percebeu que dentro dele algo se curou.

Hoje, ela percebeu que ainda é a mesma, sã e tresloucada. Uma dicotomia feminina que caminha ou corre, depende de que tipo é o monstro...

Hoje, ela passou perfume para si mesma; colocou as pérolas antigas, rodopiou pelo quarto e acenou para a nova mulher no espelho; aquela que ria feito menina sábia.

Hoje, ela calçou saltos altos, colocou uns brincos e entrou em um vestido combate. De repente tudo se tornou mágico; até mesmo a volta para casa; sapatos nas mãos e sonhos nos pés.

Hoje, ela ousou olhar por cima do muro da sua vida; e o que viu a encheu de uma doce alegria espartana perante os acenos do destino.

Hoje, ela mudou a reta e sempre ereta, correu em ziguezague.

Hoje, ela viu o jardim florescendo, e descalça molhou os pés no sonho.

Hoje, ela viu o arco-íris depois da tempestade e em transe tocou a esperança...

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