PANDEMIA

Médico da Vigilância alerta para 'situação de magnitude tão grande e tão severa'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo/GCN
 Homera Rosa, médico da Vigilância Epidemiológica de Franca
Homera Rosa, médico da Vigilância Epidemiológica de Franca
"Ninguém se prepara financeiramente, politicamente, para uma situação de magnitude tão grande e tão severa como essa." A afirmação é do médico da Vigilância Epidemiológica de Franca, Homero Rosa, sobre a situação "crítica" que vive atualmente o Estado de São Paulo, em relação ao avanço da pandemia do novo coronavírus.
 
Na manhã desta quarta-feira, 13, o médico participou do programa A hora é essa!, da rádio Difusora. Na entrevista, Homero Rosa alertou sobre a situação que apavora a cidade em relação à Covid-19. 
 
Janeiro, com apenas duas semanas, já é considerado o pior mês de toda pandemia. “Nós demoramos quase dois meses, desde o começo da doença, para chegar na condição que em poucos dias nós chegamos agora. Praticamente o país todo registrou um grande aumento da circulação do vírus depois do dia 20 de dezembro”, disse o especialista. 
 
Esse quadro se torna ainda mais preocupante, quando considerado que, até a primeira quinzena de dezembro, os números apresentavam uma baixa constante. “Estávamos realmente em uma situação epidemiológica muito favorável, com grande queda dos casos e internações, mas infelizmente não conseguimos sensibilizar boa parte da população, que simplesmente começou a ignorar a pandemia e o vírus.”
 
A preocupação não é somente em relação a Franca. Os dados que o Estado e o País apresentam todos os dias também indicam um crescimento acelerado da disseminação do coronavírus. “Ontem nós tivemos uma reunião com o Comitê de Enfrentamento e foi posicionado para nós, pelo Departamento Regional de Saúde, que todo o Estado de São Paulo, todas as regiões estão em situação crítica, principalmente a oferta de vagas, seja de enfermaria, seja de UTI, porque ninguém se prepara financeiramente, politicamente, para uma situação de magnitude tão grande e tão severa como essa”, afirmou Homero. 
 
Avanço entre os jovens
Uma outra observação feita pelo epidemiologista é sobre o aumento de infecção entre os jovens nas últimas semanas, que geralmente eram menos atingidos pela doença. “Os jovens não estavam sendo acometidos, não procuravam atendimento médico. E, durante essas últimas três semanas, a quantidade de jovens que estão procurando médico, fazendo o exame e dando positivo é muito grande”, disse. Homero ressaltou que sua maior preocupação é que o vírus se manifeste também de forma mais comum nas crianças.
 
Além do aumento nos casos, que reflete diretamente na capacidade dos hospitais, há também a pressão sobre os profissionais de saúde. Homero ressaltou que esses trabalhadores de Franca, mesmo com tantas dificuldades, continuam firmes na missão.
 
“Os profissionais de saúde estão exaustos, muito exaustos. Estão se arrastando para poder trabalhar, porque já estão há mais de nove meses nessa luta e esse enfrentamento é difícil, física e mentalmente”, disse ele, destacando a falta de profissionais para o enfrentamento da pandemia e a falta de conscientização por parte da população. "A gente tem que seguir em frente. Não dá para parar e descansar. É pelo bem coletivo", finalizou.

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