VESTIBULARES

Reflexo da pandemia: preparação de vestibulandos é marcada por dificuldades e desmotivação

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Enviado ao GCN
Iasmyn Pedigone, de 17 anos, cogitou não realizar os vestibulares este ano
Iasmyn Pedigone, de 17 anos, cogitou não realizar os vestibulares este ano

Após adiamentos e diversas mudanças forçadas pela pandemia, grande parte dos vestibulares que dão acesso às mais famosas e cobiçadas universidades do país acontece neste mês de janeiro. Com a aproximação das provas, os vestibulandos se mostram preocupados com os resultados que poderão obter, já que a dinâmica de seus estudos foi severamente alterada pelas condições geradas pelo coronavírus, o que resultou na perda de foco e diminuiu o desempenho de muitos.

Exemplo disso é a vestibulanda Camilly Braga Telles, de 17 anos, que quer cursar design de moda. A jovem, assim como diversos outros estudantes, sofreu com o cenário das aulas remotas e acabou tendo uma relação muito instável com os estudos.

“A pandemia afetou todo o meu planejamento e me desconcertou. Eu estava bem concentrada nas aulas antes desse período. Quando começou o surto e passamos a ter aulas em casa, acabei ficando um tempo sem estudar direito. Depois, até que voltei muito focada, porém, me cansei. Tivemos as férias antecipadas para abril e chegamos no final do ano totalmente esgotados. Tudo que eu pegava para fazer, não conseguia. Fiquei desmotivada”, falou.

Segundo Camilly, a dinâmica do ensino à distância é muito diferente do presencial e isso desencadeou reações negativas nos alunos. “Muita gente chutou o balde, inclusive eu, em alguns momentos. Acho que pode afetar diretamente nas notas dos vestibulares. Pode prejudicar. Estou indo fazer as provas sem ter o conhecimento necessário em algumas áreas.”

Quem também sofreu com as aulas online foi Ingryd Fernanda Pereira da Silva, de 18 anos, que diz não ter conseguido aprender da mesma maneira que seria à moda antiga. “Meu aproveitamento foi afetado de maneira negativa. Não consegui absorver tudo como era na escola e, com certeza, terei meus resultados nos vestibulares prejudicados. Muita coisa relacionada aos estudos foi por água abaixo.”

Para Ingryd, os alunos sentiram dificuldades em estudar de casa pois surgiram diversas situações pontuais, como distrações, que não ocorreriam num ambiente escolar. “Além disso tudo, existem os casos das pessoas que, por diversos motivos, não tinham condições de acessar as aulas. No geral, o aprendizado foi bem abaixo do normal”, colocou a vestibulanda, que pretende ingressar na faculdade de direito.

O estudante Lucas Petrocini dos Reis, 17, que quer cursar ciência da computação, também fala da questão da acessibilidade. Segundo ele, que também fez um curso técnico de informática integrado ao colegial, muitas vezes faltavam recursos para realizar alguns trabalhos e estudos. “Ficou complicado. As aulas presenciais ajudavam muito mais. Não penso que os meus resultados tenham sido ruins, mas poderiam ter sido bem melhores.”

Iasmyn Pedigone, 17, concluiu o ensino médio no ano passado e vai prestar vestibulares para universidades públicas e locais. Ela, que também sonha em cursar direito, afirma que a sua vida tomou contornos inimagináveis com a pandemia, tendo chegado a quase desistir de prestar as provas deste ano.

“Até pouco tempo, eu estava pensando em participar somente dos vestibulares de 2022. Tudo o que aconteceu limitou minhas esperanças, diminuindo muitos dos planos que eu tinha desde pequena. No início, pensei que seria somente uma fase curta e que as dificuldades não seriam tão grandes. Me enganei. Eu perdi o ritmo e meu desempenho caiu justamente no terceiro ano, quando todo mundo tem aquela sensação de ‘tudo ou nada’. Fiquei bem deprimida”, disse.

Ela conta que foi uma professora quem a fez mudar de ideia e retomar os estudos com objetivo de prestar as provas. “Quando eu estava prestes a jogar tudo para o ar, ela me auxiliou e me encheu de esperanças novamente. Retomei o meu curso preparatório, do qual já tinha deixado de participar, e voltei a estudar por conta própria. Tudo graças a ela. O apoio dos professores foi de grande importância para mim.”

A jovem Alice Santini, 17, também sentiu muitas dificuldades para se adaptar ao EAD logo no último ano escolar. “A pandemia foi um diferencial negativo e contribuiu para que nós, estudantes, desenvolvêssemos quadros de estresse e ansiedade. A adaptação a essa nova realidade foi muito difícil, ainda mais em um ano tão decisivo. Surgiram deficiências nos conteúdos.”

Alice afirma também que maiores do que os danos provocados no aprendizado foram os causados no psicológico dos vestibulandos. “O isolamento social, o aprender de longe trouxeram, sim, impactos na questão intelectual. Porém, o problema maior foi o psicológico. Tendo em vista o período tão incerto pelo qual passamos, os sentimentos ruins, como a falta de motivação, tornaram-se muito comuns”, contou ela, que ainda está se decidindo entre cursar psicologia ou biotecnologia.

Lívia Helen, de 17 anos, também concluiu o terceiro ano do ensino médio recentemente. Em seu ponto de vista, as mudanças repentinas dificultaram bastante a vida dos alunos, porém, o desleixo de muitos estudantes foi determinante para a queda de desempenho.

“A pandemia atrapalhou o planejamento e a preparação de todo mundo para os vestibulares. No entanto, vale ressaltar a falta de interesse de muita gente que estava estudando. Eu me incluo nisso. Como estávamos em casa, acabávamos perdendo o foco facilmente e não podemos culpar somente esse momento trágico pelo nosso desempenho. Muitas vezes, tirando algumas dificuldades que realmente surgiam e eram difíceis de se contornar, faltou esforço da nossa parte”, relatou.

Para quem já havia completado o colegial antes de 2020 e estudaria para as provas por meio de plataformas digitais de qualquer maneira, os impactos da pandemia podem não ter parecido tão fortes. Mas não é o que afirma Lívia Beatriz Costa de Matos, 18.

Segundo o que conta a vestibulanda, que almeja ingressar no curso de fisioterapia, os efeitos da pandemia, por mais que não tenham atrapalhado tanto nos estudos em si, afetaram muito seu ânimo. “Como eu estava me preparando por plataformas digitais, o isolamento social não atrapalhou tanto no ato de estudar. Só que a mudança de rotina, a ansiedade e as várias frustações que apareceram geraram um baque. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e a preocupação só aumenta, de maneira gritante. Fora tudo isso, ainda têm as distrações. Fui ficando desmotivada. Prejudicou a minha preparação.”

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