O protesto organizado por produtores rurais de Franca e de vários municípios paulistas contra a medida do Governo do Estado de São Paulo, que reajusta o ICMS sobre diversos produtos, reuniu, nas ruas de Franca, cerca de 60 tratores e diversos outros veículos, como caminhões e caminhonetes durante a manhã desta quinta-feira, 7. Mesmo com o recuo de Dória, que suspendeu decretos que alteram a cobrança do imposto, o protesto aconteceu.
Acompanhados de escolta policial e fazendo muito barulho com as buzinas, os manifestantes se reuniram, por volta das 8 horas, na avenida Wilson Sábio de Mello, onde fica localizada a cooperativa Cocapec e vários outros estabelecimentos voltados para insumos agrícolas. De lá, eles passaram por várias ruas do Distrito Industrial até chegarem, finalmente, à avenida Rio Amazonas, o que aconteceu próximo das 9h20.
Os produtores estacionaram seus veículos na rua que liga as avenidas Rio Negro e Rio Amazonas e começaram a discursar contra o projeto de aumento da carga tributária proposto pelo governador João Doria. Eles falavam, principalmente, dos impactos que os consumidores e os próprios agricultores sentirão com a medida.
Uma das pessoas à frente do protesto, Marcus Vinicius Falleiros, diretor da Sociedade Rural Brasileira e cafeicultor na região de Franca, afirma que a manifestação é uma resposta contra o “abuso” tributário.
“Esse aumento do ICMS sobre os produtos agropecuários em São Paulo é um verdadeiro abuso. Esse é um movimento orgânico que foi proposto por nós, produtores rurais paulistas. Franca, hoje, se soma a mais de 200 cidades do Estado contra esse aumento que vai refletir na cesta básica, vai refletir no bolso do cidadão”, declarou.
Ainda de acordo com Marcus, o protesto está unido em prol da manutenção do poder de compra das pessoas e da renda de cafeicultores, pecuaristas e diversos outros produtores que seriam diretamente afetados pela mudança da carga tributária. “É uma arbitrariedade do governador. Um absurdo isso acontecer num momento de pandemia”.
Ele também afirma que o aumento do ICMS resultaria em um impacto gigantesco às compras da população. “A partir do momento em que aumentam os impostos sobre o preço do óleo diesel, energia elétrica, insumos e defensivos agrícolas, isso reflete em uma alta de 30% nas gôndolas dos supermercados”.
A reunião seguiu no mesmo local até às 11h30, quando os produtores se dispersaram.
Recuo não impede manifestações
Durante a noite desta quinta-feira, 6, o governador João Doria, sob alegação de que a decisão acabaria prejudicando a população de baixa renda, suspendeu decretos que alteram o ICMS. Entretanto, o ‘tratoraço’ aconteceu mesmo assim, em Franca e em outras cidades do Estado.
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