Algo que assola muitos moradores de Franca é a presença dos vários “entulhões” que são formados em meio a terrenos baldios de diversos bairros da cidade. Com o lixo acumulado, casas vizinhas passam a sofrer com o aparecimento de animais peçonhentos, insetos e um mau cheiro quase que constante.
São sofás, estantes, lonas, brinquedos, roupas, sapatos, tecidos, utensílios de uso pessoal, embalagens plásticas, sacolinhas, latinhas, garrafas, eletrodomésticos velhos, comida, tijolos, estruturas de madeira, cimento e outros objetos descartados em lugares inadequados, de forma inadequada.
Muitas das vezes, esses materiais são deixados por próprios moradores dos bairros. É o caso da rua Nelson Japaulo, no bairro Vera Cruz, onde mora Carla Brandão. O local conta com muitos focos de descarte de resíduos e um deles fica exatamente ao lado da casa da moça, trazendo perigos para a sua família.
“Particularmente, para a gente, atrapalha muito. Moramos aqui há dois anos e sempre encontramos muitos escorpiões. Dá medo, pois temos criança em casa e fica perigoso, né? Isso fora os problemas com outros animais, como ratos, baratas e mosquitos. A gente crê que tudo isso seja resultado desse monte de entulho. Para piorar, tem gente que joga até coisa de comer às vezes, aí soma o cheiro ruim ao problema”, contou.
José Borges de Almeida é morador da mesma rua. Ele relata que já tentou, sem êxito, resolver o problema na Prefeitura. “Liguei para eles o ano passado inteiro, fiquei quase duas horas para ser atendido e fizemos um protocolo. Mas, está lá até hoje. Não resolve. Os funcionários vêm e limpam às vezes, aí o pessoal joga tudo novamente. O pior é que não podemos nem reclamar com quem joga a sujeira. Essas pessoas te ameaçam e procuram briga”.
Outra via francana que sofre com problemas parecidos é a avenida Dr. Severino Márcio Pereira Meirelles, localizada no bairro Villagio Mundo Novo. Lá mora Alan Zineratto, que relata receio pela presença de animais venenosos.
“Esse acúmulo de lixo traz muita dor de cabeça para a gente. A maior delas é o aparecimento dos animais peçonhentos. Fora outros vários tipos de bichos, eu já encontrei uma cobra coral na porta da minha casa. Está certo que a cidade invade o espaço deles, porém, esses ‘entulhões’ estimulam o aparecimento deles”.
O morador relata que ficou com muito medo de uma das crianças que moram com ele tentar tocar o animal. “Ficamos receosos. Imagina se aquela coral entra na minha casa e um dos meus filhos vai lá mexer? A gente sabe que criança é curiosa. Poderia ter acontecido algo muito grave. Fora isso, os resíduos geram outros problemas. O pessoal solta cachorro, cavalo no bairro e eles vão lá revirar, piorando a situação”.
Segundo o que diz Alan, os descartes irregulares do bairro são feitos por empresas que constroem imóveis e, por vezes, pelos próprios vizinhos. Ele também relata que já flagrou um morador jogando lixo em um terreno e foi até ele discutir.
“Normalmente, são as construtoras e os próprios moradores. O pessoal faz a construção e deixa pilhas de tijolos e materiais aí, jogados por muito tempo. Fora isso, às vezes os próprios vizinhos jogam restos de coisas. Em outras situações vem gente de fora fazer o descarte. Eu mesmo já flagrei e fui brigar com um rapaz que fez isso aqui bem perto”, falou.
Enquanto existem os que descartam seu lixo de maneira inadequada, algumas pessoas ajudam a amenizar o problema. Exemplo disso é o senhor Baltazar Bento, que é morador do Recanto Florido e trabalha como catador de lixo. A reportagem do GCN o flagrou fazendo a recolha de materiais em meio a um lixão a céu aberto que fica na rodovia Nelsom Nogueira, na saída do Residencial Palermo, e foi falar com ele.
“Isso é um grande descaso. Porém, o maior descaso não é do poder público. É das pessoas que jogam o lixo. É o cara que joga couro, que descarta material de construção. Eu faço isso todos os dias, recolho esse lixo e depois vendo para ganhar o meu dinheirinho”, disse.
Baltazar Bento também conta que que retira quantidades expressivas de lixo da rua e sente que faz algo sustentável. “Eu tiro de 4 a 5 toneladas de entulho por mês. Trabalho com isso sozinho. Ando por toda a cidade com um carrinho de mão e vou pegando o que interessar, o que for bom para vender ou der pra reutilizar. Sou feliz trabalhando com isso. Eu estou retirando sujeira do meio ambiente”.
O trabalho de remoção
O secretário de Serviços e Meio Ambiente do governo de Gilson de Souza, Sérgio Dorigan, contou ao GCN que a Secretaria faz constantemente trabalhos de remoção de entulho, mas os próprios cidadãos não colaboram.
“Nós fazemos o recolhimento desses materiais descartados periodicamente. Com data marcada e em todos os pontos da cidade. Porém, você limpa hoje e amanhã o povo já está lá jogando lixo novamente. Falta educação ambiental para os munícipes. Isso é algo muito necessário”, afirmou.
Dorigan também diz que estava estudando a instalação de ecopontos em Franca. Entretanto, com o fim do mandato da administração atual, esse tipo de projeto ficará para ser proposto pelos próximos governantes. “Eu tinha até ido para Ribeirão Preto olhar os ecopontos que existem lá. Minha ideia era fazer alguns aqui em Franca também. Mas, como houve a mudança de gestão, não tem como darmos continuidade”.
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